A nossa vida é o que aprendemos e guardamos na memória. Desde que
nascemos vamos adquirindo conhecimentos acerca do mundo, estes conhecimentos
são codificados e armazenados pela memória para posterior evocação. Sabemos
identificar e dar significado às coisas, pessoas e lugares devido ao processo
de aprendizado e memória.
Existem diferentes dimensões da memória relacionadas com a temporalidade
do armazenamento e com a natureza das informações armazenadas. A complexidade
das interações envolvidas nos diferentes processos de codificação,
armazenamento, consolidação e evocação da memória conferem à pessoa a sua
individualidade.
Evidências científicas recentes têm demonstrado um efeito positivo do
sono sobre o processo de consolidação de muitos tipos de memórias. Um novo
trabalho publicado na edição de dezembro da revista científica Neurobiology
of Learning and Memory estudou a influência do sono sobre um
aspecto específico da memória, relacionado com os processos que possibilitam a
lembrança de um nome associado a um rosto. Aparentemente esta lembrança
apresenta um maior grau de dificuldade e requer a ativação de diferentes
regiões do cérebro, assim como uma forte conectividade entre estas regiões.
A pesquisa contou com a participação de voluntários adultos a quem eram
mostradas 20 fotos de rostos com respectivos nomes. Doze horas depois as fotos
eram mostradas novamente e os nomes deveriam ser relacionados com os rostos. O
teste foi realizado duas vezes - na primeira fase os participantes dormiram até
8 horas no período entre o momento que as fotos e nomes foram mostrados pela
primeira vez e o momento seguinte, quando tiveram que associar as fotos aos
nomes. Na segunda fase as 12 horas de intervalo entre o aprendizado e a
evocação eram cumpridas com atividades diárias regulares, sem dormir.
Os participantes tiveram um melhor desempenho na associação do rosto ao
nome após o período em que dormiram.
Estes achados sugerem que dormir bem após um processo de aprendizado de
coisas novas pode ajudar as pessoas a ter uma maior retenção da nova
informação. Os pesquisadores comentam também que é possível que em pessoas
idosas as desordens de sono características da faixa etária podem dificultar o
processo de aprendizagem de coisas novas.
Não podemos esquecer que o advento das novas tecnologias de mídia
(computadores, celulares, tablets, etc.) tem afetado substancialmente o tempo
de sono das pessoas, principalmente crianças e adolescentes, e isto poderia
contribuir para dificuldades de aprendizagem.
Autor: Equipe ABC da Saúde
Referência Bibliográfica
·
-Neurobiology of Learning and Memory 126
(2015)31-38 http://dx.doi.org/10.1016/j.nlm.2015.10.012

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