A última etapa de testes da vacina contra a
dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan começa nesta segunda-feira (22) com
o cadastro de 2.000 voluntários no Estado de São Paulo. Para esta terceira parte são necessárias 17 mil pessoas
de 2 a 59 anos dispostas a passar pelos testes clínicos, já aprovados pela
Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).
O
cadastro de voluntários começa na capital paulista, mas será estendido
progressivamente a outros quinze centros médicos do país até que o número total
seja atingido. Ao todo, são treze cidades de doze Estados. Segundo o Ministério
da Saúde, serão investidos R$ 100 milhões nos próximos dois anos para o
desenvolvimento do estudo.
Depois
deste teste, a vacina deve ser protocolada na Anvisa, órgão que avalia a
qualidade, eficácia e segurança do produto. A previsão é que as doses estejam
disponíveis nos postos de saúde em dois anos.
Nas
fases anteriores, a vacina, feita com o próprio vírus da dengue
atenuado, mostrou mais de 90% de eficácia contra os quatro subtipos de
vírus da dengue com apenas uma dose.
Em entrevista recente,
o diretor do Instituto Butantan, Jorge Kalil, afirmou que a tecnologia
usada na vacina contra a dengue pode ser adaptada para criar um imunizante contra a zika.
Como funcionam os testes?
Segundo
o infectologista Esper Kallas, coordenador dos testes da vacina e
professor da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo), a
proposta desta fase é chegar o mais próximo possível de uma simulação da vida
real, mas considerando que o objetivo primário da pesquisa é a segurança.
É
um acompanhamento tão minucioso da saúde do voluntário que eu brinco que eles
ganham praticamente um 'personal vacinator'
Depois
que o paciente é vacinado, os pesquisadores observarão as reações: se ele
terá dor no local da injeção, febre ou manchas leves na pele (efeitos
colaterais previstos e considerados comuns para esse tipo de
procedimento) ou algum sintoma que venha a ser relatado posteriormente.
Na
fase três, o que se busca é a comprovação de que a pessoa vacinada está
protegida contra a infecção, mas Kallas não quis dar detalhes dos riscos
ou benefícios do voluntariado.
Os
testes para a vacina contra a dengue do Butantan passaram por outras
duas etapas desde que a pesquisa começou, em 2013. Na fase 1, os pesquisadores
provaram que ela estava apta a ser aplicada em humanos. Na fase 2, provou-se a
capacidade de a vacina em estimular o sistema imunológico para a produção de
anticorpos. Antes dessas fases, houve estudos pré-clínicos em animais.
Posso ser voluntário?
A
escolha dos voluntários segue um protocolo aprovado pelos comitês de ética dos
parceiros envolvidos na pesquisa da vacina (Instituto Butantan, Institutos
Nacionais de Saúde dos Estados Unidos, Instituto Adolfo Lutz e
Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP), além da Anvisa e do
Ministério da Saúde.
A
participação é consentida: o voluntário assina um
termo, que explica o protocolo a ser seguido, os riscos e
benefícios. "E a decisão de ficar ou sair, a hora em que ele quiser, é
dele", diz o coordenador. "Da parte dos pesquisadores, buscamos
garantir a melhor informação possível a esses pacientes porque, afinal, não
queremos perder a confiança daqueles que mais confiaram em nós."
Após
a assinatura do acordo, o paciente passa por avaliação clínica e precisa ser
aprovado. O primeiro critério é a idade --serão grupos de 2 a 6 anos, 7 a
17 anos e 18 a 59 anos. O segundo é o estado geral de saúde.
Não
são aceitos pacientes que tomam altas doses de corticoide, sofrem
de doenças crônicas, como câncer, ou estão em tratamento
quimioterápico ou para transplante de medula óssea. Grávidas, lactantes ou
mulher que desejem engravidar perto da fase de testes também são excluídas.
O
voluntário precisa estar ciente que se encontrará com os pesquisadores durante
um tempo --serão nove visitas em cinco anos de acompanhamento.
Se
aprovado, ele passa por coleta de sangue e recebe um diário para anotar as
percepções após tomar a vacina – o que deve acontecer já no mês que vem.
Voluntário ganha para participar?
Não.
Segundo Kallas, é proibido no Brasil pagar pela participação de
voluntários neste tipo de pesquisa. No entanto, os pacientes recebem ajuda de
custo para transporte, quando visitas são necessárias, e para alimentação.
Quem já participou, pode participar
de novo?
Sim.
"Em geral, as fases 1, 2 e 3 têm grupos diferentes de voluntários, mas
eventualmente pode acontecer de repetir gente, sim, se essa for a vontade do
paciente e se ele se encaixar novamente nos fatores de inclusão", explicou
o coordenador.
Por que participar?
"Essa
é uma chance realmente efetiva de se fazer algo pela sociedade",
defende Kallas. "Ninguém que entra nisso o faz para melhorar a
própria aparência ou por outra razão do tipo. Faz por puro altruísmo."
De acordo com a
Secretaria de Estado da Saúde, dos 2 mil voluntários de São Paulo, já foram
obtidos, 1,2 mil foram recrutados pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de
Medicina da USP. Os interessados ainda podem procurar o SAC do Butantan
pelo e-mail sac@butantan.gov.br.
Fonte: http://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/redacao/2016/02/22/comeca-fase-final-da-vacina-contra-a-dengue-veja-quem-pode-ser-voluntario.htm

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