quarta-feira, 1 de abril de 2015

Maior estudo já realizado no Brasil vai mostrar quais os fatores de risco para doenças crônicas


Levantamento epidemiológico de magnitude jamais vista no país quer detectar quais fatores contribuem para aumentar ou diminuir o risco de doenças crônicas não transmissíveis entre os brasileiros adultos. Pesquisadores de seis instituições estão construindo uma base de dados inédita para municiar médicos e o Sistema Único de Saúde (SUS) com informações e referenciais de valores para exames clínicos e laboratoriais tidos, até então, com base somente na população de outros países desenvolvidos, entre eles os Estados Unidos. Os primeiros seis anos do Estudo Longitudinal da Saúde do Adulto (Elsa-Brasil), que se estenderá ao menos pelos próximos 20 anos, já dão sinais de que, numa sociedade marcada pelo perfil heterogêneo do ponto de vista étnico, social, cultural e de comportamento, os parâmetros são diferenciados.

O estudo recrutou 15.105 voluntários, servidores de universidades e institutos de pesquisa públicos, com idade entre 35 e 74 anos, em seis capitais: Belo Horizonte, Porto Alegre, Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador e Vitória. A saúde deles está sendo acompanhada desde 2008. Anualmente, são entrevistados por telefone para os pesquisadores acompanharem a saúde deles e, a cada quatro anos, são submetidos a baterias de exames e outras entrevistas, que ajudam a verificar a evolução do quadro de saúde e o que contribui para alguma disfunção que porventura seja detectada. Cerca de 50 pesquisadores das universidades federais de Minas Gerais (UFMG), Rio Grande do Sul (UFRGS), do Espírito Santo (Ufes) e da Bahia (UFBS), da Universidade de São Paulo (USP) e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) estão envolvidos no projeto.

O interesse principal do Elsa-Brasil é avaliar doenças cardiovasculares, hipertensão arterial e diabetes, além de problemas como cognição, depressão, aterosclerose e osteoartrite. Entre os parâmetros biológicos avaliados estão a espessura da camada média-intimal da artéria carótida (o espessamento dela indica o risco aumentado de doenças cardiovasculares); a duração das ondas e intervalos registrados no eletrocardiograma; referências laboratoriais, incluindo hemograma; e exames que verificam a função renal e enzimas produzidas no fígado. Todos podem variar entre grupos populacionais.

“Nós nos apropriávamos do conhecimento produzido nos Estados Unidos e nos países europeus e aplicávamos na nossa população, mas há diferenças culturais, étnicas, de alimentação e do comportamento. O estudo nos trará detalhes da nossa realidade, a partir do nosso conhecimento e do que o mundo tem gerado”, afirma Sandhi Maria Barreto, coordenadora do Elsa-Brasil no estado e professora do Departamento de Medicina Preventiva e Social da Faculdade de Medicina da UFMG. “É importante termos parâmetros próprios para ter condição de interpretar com mais precisão um exame pedido pelo médico”, completa.


Fonte: http://sites.uai.com.br/app/noticia/saudeplena/noticias/2015/03/30/noticia_saudeplena,152788/maior-estudo-ja-realizado-no-brasil-vai-mostrar-quais-os-fatores-de-ri.shtml

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