Já fazem
alguns anos que infecções na boca têm sido associadas a um maior risco de doenças cardíacas.
Para a maior parte da população, entretanto, esta ligação não é bem entendida,
muito devido ao fato das pessoas perceberem os dentes e a boca como partes
independentes do resto do corpo. Desta forma, a noção que uma simples gengivite
pode aumentar o risco de desenvolver uma doença cardíaca grave torna-se
contraintuitiva.
Os
principais motivos que levam as pessoas a terem cuidado com a higiene oral
estão ligados à aparência, prevenção de infecções na boca e mau hálito. Poucos
sabem que com este hábito simples estão ajudando a evitar doenças
cardiovasculares.
Infecções
na boca constituem a doença mais comum da humanidade e suas consequências não
se restringem ao ambiente bucal. Isto é o que prova um artigo de revisão que
compila resultados dos principais trabalhos científicos publicados sobre o
assunto. A revisão, publicada recentemente na revista Trends in
Endocrinology and Metabolism, confirma que existem fortes evidências
científicas que associam as infecções da boca (as mais comuns são a gengivite,
a periodontite e a cárie) a uma maior incidência de doenças cardiovasculares.
O
mecanismo que explica esta ligação entre infecção oral, comumente produzida por
uma higiene bucal descuidada, e doenças sistêmicas, como as doenças
cardiovasculares, está agora melhor esclarecido. As infecções da gengiva,
gengivites com formação de placa bacteriana, podem evoluir para a infecção das
estruturas de ligação dos dentes com o osso, que são as periodontites. Por sua
vez, cáries não tratadas podem evoluir para a infecção da polpa dental. Todas
estas condições servem de porta de entrada das bactérias para a circulação
sistêmica.
Estudos
recentes demonstram a presença do DNA de bactérias orais em placas de ateroma;
estas bactérias contribuem de maneira direta ou como um cofator para o
desenvolvimento de inflamação crônica e aterosclerose com todas as suas
consequências cardiovasculares. Existe uma relação dinâmica entre o microbioma
oral (conjunto de bactérias que infectam a boca) e o processo de inflamação
sistêmica crônica que predispõe o indivíduo a desenvolver doença
cardiovascular.
Escovar
os dentes regularmente e, principalmente, fazer uso do fio dental, são formas
baratas e eficazes de remover ou impedir a formação de placas bacterianas,
impedindo as infecções na boca.
A boa
higiene oral, além de causar boa aparência, evitar o mau hálito e trazer bem
estar na boca, pode contribuir muito para diminuir o risco de doença cardíaca!
Autor: Equipe
ABC da Saúde
Referência Bibliográfica
-Trends in Endocrinology and Metabolism - In
press - Available online 16 April 2015.

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