Um editorial publicado nesta terça-feira (24) pela revista Nature, uma das mais importantes
publicações científicas do mundo, abordou os riscos da fabricação e
distribuição da chamada "pílula do câncer", desenvolvida pelo
Instituto de Química da USP (Universidade de São Paulo) de São Carlos (SP). O
texto afirma que "a triste verdade é que é pouco provável que a droga
seja um milagre".
O texto ressalta que mesmo que as
cápsulas de fosfoetanolamina sintética tenham algum benefício sobre
pacientes que lutam contra o câncer, essa eficácia precisa ser comprovada e
isso só acontece fazendo testes em humanos (o que não aconteceu ainda). O
composto, mesmo sem ter passado pelos testes exigidos legalmente, começou a ser distribuído de maneira gratuita há
alguns anos, mas no dia 29 de setembro o TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo)
vetou essa distribuição. Uma batalha judicial se formou. De um lado,
pacientes insistindo no uso do produto, de outro, tribunais ora permitindo, ora
negando o acesso. O ministério da Saúde decidiu recentemente criar um grupo de
trabalho para estudar a pílula, mas orientou as pessoas a não tomarem o composto.
Segundo a revista, a cada dez novas drogas que
passam pela primeira fase dos testes clínicos, apenas uma consegue
a aprovação do FDA (Food and Drug Administration),
agência do governo norte-americano que libera novos medicamentos. Em outras
palavras, mesmo com os testes, poucas drogas são aprovadas como
efetivas contra o câncer.
Além disso, para a revista um laboratório de uma
universidade não é "nem uma planta farmacêutica, nem uma farmácia" e,
por isso, não é obrigado a seguir os protocolos de produção de medicamentos.
"Não há nenhuma supervisão para certificar o que está dentro das cápsulas
de fosfoetanolamina sintética produzidas na Universidade de São Paulo. Nem os
efeitos colaterais do composto nem a sua eficácia são monitorados
sistematicamente". A Nature classifica a situação vivenciada no Brasil de
"extrema" e afirma ainda ser um "desrespeito com a importância
das medidas de segurança" do processo de produção de medicamentos fornecer
um composto desta maneira.
Na semana passada, o Ministério da Ciência,
Tecnologia e Inovação informou que a fase pré-clínica (aplicação da nova
molécula em animais) da fosfoetanolamina sintética será concluída em sete meses, quando o
material deverá ser encaminhado para análise da Anvisa (Agência Nacional de
Vigilância Sanitária).
Só depois dessa etapa é que a Anvisa vai determinar
se o composto será administrado em voluntários humanos, que é a fase 1 do
estudo clínico.
SP vai pedir liberação da Anvisa
Mesmo sem os testes em humanos, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, afirmou
nessa segunda-feira (23) que vai solicitar à Anvisa a
autorização o uso da substância pelos pacientes até que ela tenha aprovação
final do governo federal. O anúncio foi feito durante encontro com o professor
Gilberto Orivaldo Chierice, do Instituto de Química da USP de São Carlos, que
fabricou e distribuiu o composto por anos, no Palácio dos Bandeirantes.
Alckmin também ofereceu hospitais do Estado,
institutos de pesquisa e o laboratório do FURP (Fundação para o Remédio
Popular) para auxiliar nas próximas fases dos estudos para a aprovação do uso
do fosfoetanolamina sintética em pacientes com câncer.
Fonte:
http://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/redacao/2015/11/24/para-naturee-pouco-provavel-que-pilula-do-cancer-seja-um-milagre.htm

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