segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Mais de 5 milhões de pessoas no Brasil podem ter depressão: por que as mulheres são mais vulneráveis?


O transtorno psiquiátrico é ainda mais ameaçador para mulheres e pessoas com baixa escolaridade, indica estudo de universidade gaúcha. Vícios, como o tabagismo, também potencializam o quadro.

Ela nunca vem só: acompanhada por outras enfermidades, hábitos e condições sociais, a depressão contamina as relações interpessoais e a autonomia de quem convive com ela, ecoando prejuízos sociais e materiais que agravam a situação do paciente e de pessoas próximas a ele. Apontada como o transtorno mental mais prevalente no mundo — a Organização Mundial da Saúde estima que haja 350 milhões de pacientes —, a depressão configura-se como uma das inimigas que mais atormentam a saúde humana. Como em qualquer batalha, conhecer o oponente é fundamental. Por isso, cientistas de todo mundo têm se empenhando em estudar e em mapear os mecanismos de ataque da enfermidade. Um dos esforços mais recentes nesse sentido vem de pesquisadores da Universidade Federal de Pelotas (UFPEL), no Rio Grande do Sul.

Eles detalham, no Journal of Affective Disorders, a epidemiologia da doença no Brasil. Utilizando dados de mais de 60 mil pessoas obtidos pela Pesquisa Nacional de Saúde, a equipe liderada por Tiago Munhoz descreveu a proporção de adultos com maior risco de ter a doença mental. Os pesquisadores avaliaram ainda quais grupos populacionais são mais vulneráveis. Segundo os resultados, a prevalência de indivíduos com risco aumentado para a depressão no país foi de 4,1%, o que reflete um número absoluto de 5,5 milhões de brasileiros. Nas análises localizadas, a taxa foi maior na Região Sul (4,8%) e menor na Norte (2,9%).

“O estudo não faz essa correlação, mas eu acredito que a má distribuição de psiquiatras no país tenha influenciado esses resultados. Regiões em que há pouco atendimento especializado para diagnosticar a depressão e baixo nível educacional para que as pessoas procurem informações sobre os sintomas podem desempenhar algum papel nesse achado”, especula a psiquiatra Helena Moura, membro da Associação Brasileira de Psiquiatria e não participante do estudo.

Conforme Helena citou, a triagem foi maior entre pessoas com menor escolaridade. “O baixo nível educacional está associado à pior condição socioeconômica. Assim, indivíduos nessa condição estão expostos a um conjunto maior de fatores de risco, isto é, a uma série de agravos à saúde, incluindo a depressão”, explica Munhoz. O líder do estudo corrobora a opinião de Helena: a baixa escolaridade pode dificultar o entendimento de que os sintomas depressivos são um problema de saúde, fazendo com que as pessoas, apesar das manifestações da doença, não procurem ajuda especializada. “Pelo fato de terem baixo nível econômico, pode ser que não tenham acesso ao tratamento adequado”.

Outros resultados confirmaram um dado bem descrito na literatura: a maior suscetibilidade entre as mulheres de desenvolver o problema. Helena Moura explica que a oscilação hormonal acentuada, que aparece mais nitidamente na tensão pré-menstrual, na gravidez e na menopausa, é um fator que influencia a maior incidência do transtorno nelas. Mas a fisiologia não pode ser responsabilizada sozinha. “Existe também a influência do aspecto social, com muita cobrança para a mulher, que desempenha diversas funções”, completa a médica.

Hábitos perigosos
Além de características fisiológicas, o comportamento pode determinar um risco aumentado de ter a doença. No caso dos fumantes, por exemplo, é de 59%. O dado assemelha-se ao encontrado por pesquisadores da University College London, no Reino Unido. Em março passado, durante uma campanha antitabagismo, eles divulgaram que fumantes são 70% mais propensos a sofrerem de depressão e ansiedade. Apesar da associação com o tabaco, o estudo de Munhoz não detectou correlação com consumo excessivo de bebidas alcoólicas.

“Estudos com delineamento transversal, como o nosso, não permitem avaliar a relação de causalidade entre tabagismo e uso abusivo de álcool com a depressão. Portanto, não podemos avaliar se a depressão prediz o uso de tabaco/álcool ou se indivíduos que fazem uso dessas substâncias estão em maior risco para depressão”, explica Munhoz. Mesmo assim, o pesquisador diz que a tendência é que alcoólatras apresentem diferentes comorbidades psiquiátricas, além de uma série de problemas de saúde geral e da adoção maior de comportamentos de risco, como exposição a situações violentas e acidentes.

11 milhões no Brasil
O universo de brasileiros com depressão é de 11 milhões de pessoas, o dobro dos ameaçados. O número, divulgado no fim de 2014 pelo IBGE, representava, à época das entrevistas, em 2013, 7,6% da população com mais de 18 anos. O cenário retratado combina com as suscetibilidades indicadas no recente estudo gaúcho. Segundo o IBGE, por exemplo 10,9% das mulheres tinham a doença, contra 3,9% dos homens. O estudo da UFPEL indica que elas são pelo menos duas vezes mais propensas a terem a doença.

Pior nas cidades
Viver nos grandes centros urbanos também pode comprometer a saúde psiquiátrica. O estudo sobre fatores que mais desencadeiam a depressão mostra que o problema é 50% mais presente nos habitantes das cidades. “É um dado observado em estudos internacionais. A vida nesses lugares é corrida e estressante, e as pessoas são, sem dúvida, mais sobrecarregadas”, complementa a psiquiatra Helena Moura.

Também conforme o estudo, as faixas etárias mais afetadas são compostas por pessoas com 40 a 59 anos e por quem está na ponta da pirâmide: com 80 anos ou mais. Estudos epidemiológicos conduzidos em países de rendas baixa, média e alta, porém, trazem outros padrões, com alguns indicando que o problema é mais frequente em jovens. E outros, em adultos e idosos.

Tiago Munhoz, líder da nova análise científica, diz que, por enquanto, não é possível oferecer respostas objetivas sobre a discrepância. “Do ponto de vista psicológico e populacional, poderíamos hipotetizar que, com o aumento da idade, os indivíduos acabam se afastando do trabalho, têm menos interações sociais com a família e os amigos, apresentam maior número de doenças crônicas e se tornam menos independentes”, acredita o estudioso da Universidade Federal de Pelotas.

As doenças crônicas, aliás, têm correlação com o desenvolvimento do transtorno psiquiátrico. “Depressivos tendem a ter mais doenças físicas, e doentes físicos, mais depressão. Sabemos hoje que diabetes, doenças cardiovasculares e hipertensão aumentam por si o risco para o transtorno mental. Não é só porque a pessoa deixa de trabalhar, precisa abrir mão das coisas de que gosta e, por isso, fica deprimida”, diz Helena Moura.

Fonte: http://sites.uai.com.br/app/noticia/saudeplena/noticias/2016/02/12/noticia_saudeplena,156055/mais-de-5-milhoes-de-brasileiros-e-brasileiras-tem-depressao-por-que.shtml

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Descoberta de ondas gravitacionais de Einstein abre nova janela no universo


Washington, 11 fev (EFE).- A astronomia abriu nesta quinta-feira uma nova janela no universo com o anúncio de um desses marcos científicos que se esperam durante décadas: a primeira detecção direta das ondas gravitacionais previstas por Albert Einstein há 100 anos em sua Teoria da Relatividade geral.

Em uma grande entrevista coletiva em Washington, os cientistas do Observatório Americano de Interferometria Laser (LIGO) puseram fim a meses de rumores e grande expectativa entre a comunidade científica perante um achado que abre o caminho para se redescobrir o universo, desta vez, sem necessidade da luz.

"Senhoras e senhores, detectamos as ondas gravitacionais. Conseguimos", anunciou com orgulho o diretor-executivo do LIGO, David Reitze, que recebeu uma grande ovação em uma sala abarrotada de cientistas e jornalistas.

O feito do LIGO é duplo: se trata da primeira detecção direta de ondas gravitacionais e da primeira observação da fusão de um sistema binário de buracos negros.

Os físicos concluíram que as ondas gravitacionais detectadas se produziram durante a fração final de um segundo da fusão de dois buracos negros em um mais massivo. Essa colisão de dois buracos negros tinha sido prevista, mas nunca observada.

O choque ocorreu a uma distância de mais de um bilhão de anos-luz, de modo que os detectores do LIGO observaram um evento que ocorreu em um tempo e uma galáxia muito distantes.

"Demoramos meses para constatar que realmente eram as ondas gravitacionais. Mas o que é verdadeiramente emocionante é o que vem depois, abrimos uma nova janela no universo", anunciou Reitze entusiasmado.

As ondas foram detectadas às 9h51 GMT do último dia 14 de setembro pelos dois detectores do LIGO, um localizado em Livingston (Louisiana) e outro em Hanford (Washington), a milhares de quilômetros de distância.

O Comitê de Detecção do LIGO, uma equipe de cientistas experientes, passou mais de quatro meses apurando a descoberta para confirmar que o sinal provinha do céu e não uma de fonte na Terra ou de uma falha instrumental.

O achado foi possível graças ao aumento da sensibilidade dos instrumentos em 2015, em comparação com a primeira geração de detectores LIGO.

"Nossa observação das ondas gravitacionais cumpre um ambicioso objetivo estabelecido há cinco décadas para detectar de maneira direta este fenômeno e entender melhor o universo", explicou Reitze.

"Além disso, completamos o legado de Einstein no centenário de sua Teoria da Relatividade geral", acrescentou.

A entrevista coletiva do grande anúncio abarrotou como poucas vezes o National Press Club de Washington, com centenas de jornalistas e cientistas que, na longa fila antes de entrar, se prodigalizavam em felicitações "por isso do que ainda não podemos falar".

A expectativa foi tal que mais de 90.000 pessoas seguiram o evento ao vivo através da internet, as reações se multiplicaram por todo o mundo e as redes sociais se inundaram de ciência por um dia.

Einstein descobriu em sua Teoria da Relatividade geral que os objetos que se movimentam no universo produzem ondulações no espaço-tempo e que estas se propagam pelo espaço. Predizia assim as ondas gravitacionais, mas demonstrar de maneira direta sua existência era o último desafio pendente.

Durante décadas os astrônomos acumularam evidências claras de que as ondas gravitacionais podiam existir, e no ano 2000 já se dispunha de um conjunto completo de interferômetros: TAMA300 no Japão, GEO600 na Alemanha, LIGO nos Estados Unidos e Virgo na Itália.

Entre 2002 e 2011 foram feitas sem sucesso observações conjuntas, mas o grande achado não chegou até 2015, quando os detectores do LIGO se incrementaram e começaram a operar como "Advanced LIGO": o primeiro de uma rede global de detectores significativamente mais sensíveis.

O LIGO, composto por esses dois enormes interferômetros laser, é o maior observatório de ondas gravitacionais e um dos experimentos da física mais sofisticados do mundo. O laboratório usa as propriedades físicas da luz e do espaço para detectar as ondas gravitacionais, um conceito proposto pela primeira vez nas décadas de 1960 e 1970.

A descoberta anunciada hoje abre uma nova porta na astronomia, porque até agora os cientistas dependeram de diferentes formas de luz (ondas eletromagnéticas) para observar o universo.

As ondas gravitacionais, por sua vez, transportam informação sobre o movimento dos objetos no universo e espera-se que permitam observar a história do Cosmos até instantes remotos.

A grande descoberta que representa a detecção destas ondas encerra a promessa do desconhecido: poder olhar o universo com um novo par de olhos que não dependem da luz. 


Fonte: http://noticias.uol.com.br/ciencia/ultimas-noticias/efe/2016/02/11/descoberta-de-ondas-gravitacionais-de-einstein-abre-nova-janela-no-universo.htm

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Boas razões para não tirar o glúten da dieta


Quem risca o glúten do cardápio elimina, também, boa parte dos carboidratos que costuma consumir. E, com isso, deixa de aproveitar diversos benefícios à saúde. A rigor, só quem precisa eliminar essas proteínas são os celíacos.

Aqui, três razões pelas quais você deve manter o glúten na rotina alimentar:

É fonte de proteína vegetal
As proteínas comandam o reparo dos tecidos, estruturam nosso crescimento e mantêm o sistema imunológico ativo. Para fazer tudo isso, as células consomem a menor partícula da proteína, o aminoácido. E como não produzimos todos os aminoácidos de que precisamos, só conseguimos os que faltam combinando diferentes alimentos. Por isso, é essencial ter uma dieta balanceada, rica em proteínas animais e vegetais.

Carboidratos nos dão energia
Os alimentos que contêm glúten também são ricos em carboidratos, como os pães, os cereais e o macarrão. Por isso, são excelentes fontes de energia. Quem não os consome pode se sentir fraco e desanimado. Nosso organismo pode até usar proteínas como fonte de energia quando acabam os carboidratos, mas essa manobra causará problemas se começarem a faltar proteínas para as funções essenciais, causando males como fadiga, irritabilidade, letargia, perda de massa muscular e inchaço, além de enfraquecer os sistemas cardiovascular e respiratório.

Cereais integrais fazem bem à saúde
As fibras e o farelo dos grãos integrais não só dão saciedade como auxiliam o nosso processo digestivo. Para consumir esses carboidratos de forma saudável, o ideal é que 25% dos alimentos que ingerimos no dia sejam compostos de grãos integrais, recomenda a Harvard T.H. Chan School of Public Health. Carboidratos integrais também demoram mais para se transformar em glicose, o que mantém estável o nível de açúcar no sangue.

Procure um nutricionista para saber qual é a melhor dieta para seguir.


Fonte: http://www.blogdasaude.com.br/saude-fisica/2016/02/10/boas-razoes-para-nao-tirar-o-gluten-da-dieta/

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Veja quais são os perigos dos smartphones para a coluna


Vivemos constantemente conectados ao mundo virtual. Temos acesso à comunicação instantânea, músicas, fotos, internet e redes sociais na palma das mãos com os tão populares smartphones. Com isso, fala-se cada vez mais a respeito das complicações que o uso frequente dos aparelhos pode trazer para a coluna vertebral.

Descritas no inglês como tech neck, tais complicações são dores cervicais relacionadas ao mau posicionamento da cabeça ao usar o celular. O número de consultas médicas vem aumentando cerca de 40% nos últimos anos, principalmente entre pacientes jovens, com queixa de dor cervical. Tipicamente, a incidência dessa queixa aumenta com a idade, mas cada vez mais jovens têm relatado esse desconforto nos consultórios.

A postura correta é fundamental para evitar o problema. É o que explica o médico Fernando Dantas, neurocirurgião do corpo clínico do Biocor Instituto. “A nossa coluna vertebral apresenta curvaturas fisiológicas em cada nível. Temos a lordose cervical, a cifose torácica e a lordose lombar, dando à coluna o aspecto da letra ‘S’. Essa anatomia é muito importante para suportar e distribuir as cargas de forças que são aplicadas à coluna diariamente. Os músculos do pescoço são designados para suportar o peso da cabeça, que, no ser humano, pesa em média 4,5 quilos a 5,5 quilos. Nem o pescoço nem os ombros estão adaptados para sustentar esse peso durante longos períodos com a cabeça inclinada para frente”, diz.

Segundo o especialista, as forças exercidas sobre a coluna cervical são variáveis de acordo com a posição da cabeça. “Na posição neutra, ou seja, com zero grau de angulação (como uma pessoa olhando na linha do horizonte), temos uma carga na coluna de cerca de 26 quilos e, à medida que essa angulação aumenta, a força aumenta. Na angulação de cerca de 60 graus – posição em que as pessoas usam os smartphones – a força pode chegar a 132 quilos, alterando a curvatura natural do pescoço”, explica. Levando em conta que uma pessoa usa o smartphone por cerca de duas a quatro horas por dia com a cabeça baixa, a somatória de um ano corresponde de 700 horas a 1.400 horas de excesso de estresse sobre a coluna cervical.

O médico alerta que, com o tempo, esse mau alinhamento da coluna pode causar problemas às estruturas do pescoço, favorecendo o aparecimento de dor cervical e lombalgia, em virtude da mudança do alinhamento da coluna, ficando a região cervical inclinada para a frente: “Ao realizar exames radiológicos da coluna podemos verificar a perda da lordose cervical com a presença de uma coluna reta ou mesmo com a inversão dessa curvatura. Ainda não há estudos comprovando essa relação, mas, provavelmente aparecerão com o tempo”. Além da coluna, também colocamos nossa visão em tensão. Os músculos da face e dos olhos são ligados ao crânio e à região cervical, motivo pelo qual as contrações do olhar repetidas vezes durante o dia podem desencadear dor de cabeça, distúrbios do sono e tonteiras.

As mãos também podem sofrer com o uso constante dos celulares. “Em 2011, muito se falou a respeito da síndrome do ‘Blackberry thumb’, também conhecida como síndrome de Quervain, da qual o paciente relatava dor na mão e dormência ou dificuldade para escrever devido a uma inflamação do tendão, conhecida como tenossinovite radial estiloide.”

Entre as formas de prevenção das dores cervicais, correções da postura são essenciais: ao usar o smartphone, a tela deve ficar na altura dos olhos e deve-se evitar atender o telefone usando apenas os ombros, com a cabeça inclinada para um lado. Alguns movimentos de rotação do pescoço para relaxar a musculatura podem ser feitos após o uso do aparelho.

Se houver alguma dor mais insistente, um médico deve ser consultado. “Se você faz uso constante do smartphone e está sofrendo com dores cervicais persistentes, procure um médico, que ele vai orientar, medicar, solicitar exames se necessário e avaliar o seu encaminhamento a um fisiatra ou um fisioterapeuta para exercícios de correção da postura, reforço muscular e medidas antálgicas. O mais importante de tudo é usar o celular moderadamente e na postura correta, para evitar problemas futuros”, indica Fernando Dantas.

Fonte: http://www.em.com.br/app/noticia/patrocinado/biocor/2016/02/08/patrocinado--biocor,732328/veja-quais-sao-os-perigos-dos-smartphones-para-a-coluna.shtml

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Senado aprova ampliação da licença-paternidade para 20 dias e que também vale para adoção


Próximo passo é a sanção da presidente Dilma Rousseff.

O plenário do Senado aprovou nesta terça-feira (03/02) um marco regulatório dos direitos da primeira infância, voltado para as crianças até seis anos de idade. O principal avanço do texto, que segue para sanção presidencial, é a ampliação da licença-paternidade dos atuais cinco dias para 20 dias.

Por enquanto, o aumento da licença não será obrigatório para todos, mas apenas para as empresas que aderirem ao programa Empresa Cidadã, que também possibilita o aumento da licença-maternidade para seis meses. A licença-paternidade de 20 dias também valerá para adoção.

O marco legal também prevê identificação e prevenção dos casos de violência contra gestantes ou crianças, em mecanismo semelhante aos já adotados em outros países, por meio do sistema de saúde. A proposta aprovada desonera e facilita o registro de crianças, além de prever o acompanhamento contínuo das políticas públicas, como sugere a Organização das Nações Unidas (ONU).

Estatuto
A ideia é ir além do que já prevê o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e não só proteger as crianças, mas promover ações que garantam o desenvolvimento integral de meninos e meninas.

Logo após a aprovação do projeto pelo Senado, a Rede Nacional Primeira Infância divulgou nota comemorando a futura lei, votada na primeira sessão do ano legislativo.

Além da ampliação da licença-paternidade, a rede ressaltou como avanços a valorização dos profissionais que atuam com a primeira infância e a previsão de que crianças pequenas sejam ouvidas na formação de políticas públicas, considerando suas formas de expressão.

“Atualmente, cerca de 20 milhões de crianças brasileiras tem até 6 anos de idade. Com o Marco Legal, elas passam a ter atenção especial em sua especificidade e relevância no desenvolvimento infantil e na formação humana. Um dos grandes avanços do Marco Legal é prever a criação de uma Política Nacional Integrada para a Primeira Infância, com abordagem e coordenação intersetorial, numa visão abrangente de todos os direitos da criança na primeira infância, com corresponsabilidade entre União, estados e municípios”, informou a nota da Rede Nacional Primeira Infância.

Prêmio Nobel
A votação no Senado ocorreu no dia em que a Casa recebeu a visita do prêmio Nobel da Paz, Kailash Satyarthido, que atua justamente na promoção dos direitos das crianças e dos direitos humanos.

Styarthido foi recebido pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), ao qual pediu ajuda para o combate ao trabalho escravo. Em seguida, ele visitou o plenário do Senado, momento antes do início da votação do Marco Legal da Primeira Infância.


Fonte: http://sites.uai.com.br/app/noticia/saudeplena/noticias/2016/02/04/noticia_saudeplena,156083/senado-aprova-ampliacao-da-licenca-paternidade-para-20-dias-que-tambem.shtml

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Dormir bem pode melhorar a memória


A nossa vida é o que aprendemos e guardamos na memória. Desde que nascemos vamos adquirindo conhecimentos acerca do mundo, estes conhecimentos são codificados e armazenados pela memória para posterior evocação. Sabemos identificar e dar significado às coisas, pessoas e lugares devido ao processo de aprendizado e memória.

Existem diferentes dimensões da memória relacionadas com a temporalidade do armazenamento e com a natureza das informações armazenadas. A complexidade das interações envolvidas nos diferentes processos de codificação, armazenamento, consolidação e evocação da memória conferem à pessoa a sua individualidade.

Evidências científicas recentes têm demonstrado um efeito positivo do sono sobre o processo de consolidação de muitos tipos de memórias. Um novo trabalho publicado na edição de dezembro da revista científica Neurobiology of Learning and Memory estudou a influência do sono sobre um aspecto específico da memória, relacionado com os processos que possibilitam a lembrança de um nome associado a um rosto. Aparentemente esta lembrança apresenta um maior grau de dificuldade e requer a ativação de diferentes regiões do cérebro, assim como uma forte conectividade entre estas regiões.

A pesquisa contou com a participação de voluntários adultos a quem eram mostradas 20 fotos de rostos com respectivos nomes. Doze horas depois as fotos eram mostradas novamente e os nomes deveriam ser relacionados com os rostos. O teste foi realizado duas vezes - na primeira fase os participantes dormiram até 8 horas no período entre o momento que as fotos e nomes foram mostrados pela primeira vez e o momento seguinte, quando tiveram que associar as fotos aos nomes. Na segunda fase as 12 horas de intervalo entre o aprendizado e a evocação eram cumpridas com atividades diárias regulares, sem dormir.

Os participantes tiveram um melhor desempenho na associação do rosto ao nome após o período em que dormiram.

Estes achados sugerem que dormir bem após um processo de aprendizado de coisas novas pode ajudar as pessoas a ter uma maior retenção da nova informação. Os pesquisadores comentam também que é possível que em pessoas idosas as desordens de sono características da faixa etária podem dificultar o processo de aprendizagem de coisas novas.

Não podemos esquecer que o advento das novas tecnologias de mídia (computadores, celulares, tablets, etc.) tem afetado substancialmente o tempo de sono das pessoas, principalmente crianças e adolescentes, e isto poderia contribuir para dificuldades de aprendizagem. 

Autor: Equipe ABC da Saúde

Referência Bibliográfica


·         -Neurobiology of Learning and Memory 126 (2015)31-38 http://dx.doi.org/10.1016/j.nlm.2015.10.012

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Cidade dos EUA diz ter registrado transmissão sexual de zika


O serviço de saúde de Dallas, no Estado do Texas, nos Estados Unidos, relatou o primeiro caso local de transmissão do vírus no país. E, segundo o órgão, a transmissão foi por relação sexual com uma pessoa contaminada que contraiu o vírus em viagem para a Venezuela. Já havia casos suspeitos da transmissão por via sexual, mas este seria o primeiro confirmado.

Em comunicado, o Dallas County Health and Human Service (DCHHS, o serviço de saúde de Dallas) disse primeiramente ter recebido confirmação do CDC (Centro de Controle de Doenças dos EUA) de que o zika vírus foi contraído por meio de transmissão sexual. Depois, pelo Twitter, o serviço afirmou que o CDC realizou e confirmou o teste para zika, mas que a investigação do modo de transmissão foi feita pelo próprio DCHHS - o paciente não realizou viagem a uma área de contágio, segundo o órgão. 

O CDC não se pronunciou oficialmente e não atendeu aos telefonemas da reportagem. Por segredo médico e privacidade, o DCHHS não fornece informações adicionais. Na região, havia seis casos confirmados de Zika relacionados com viagens, todos entre moradores do condado de Harris, onde Houston está localizada, segundo o Departamento de Serviços de Saúde do Texas.

"Agora que nós sabemos que o zika vírus pode ser transmitido pelo sexo, aumenta nossa campanha de prevenção para educar o público a se proteger e aos outros", disse Zachary Thompson, diretora do DCHHS. "Depois da abstinência, camisinha é a melhor forma de prevenção contra transmissões sexuais de infecções", afirmou. 
Até agora, a única forma de contágio oficial do vírus é pela picada do mosquito Aedes aegypti. O vírus já foi encontrado no leite materno e há a suposição da transmissão pelo sangue, mas ainda em estudo.

Primeiras suspeitas
Em 2013, durante um surto de zika na Polinésia Francesa, o vírus foi detectado no sêmen de um homem de 44 anos. Neste caso, não houve a comprovação de infecção de uma segunda pessoa pela via sexual, mas, sim, da contaminação do sêmen pelo chamado vírus replicante, ou seja, capaz de gerar a propagação da doença. "Nossas descobertas apoiam a hipótese de que o Zika pode ser transmitido por via sexual", conclui artigo de fevereiro de 2015, disponível no site do Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês).

Um segundo caso foi o do cientista americano Brian Foy, em 2008. Ele havia visitado uma região do Senegal afetada por zika e, ao retornar para casa, no Colorado, Estados Unidos, teria infectado sua esposa durante uma relação sexual um dia após seu retorno. Como o mosquito Aedes aegypti não circula na região, a transmissão sexual seria a única explicação plausível.

Órgãos recomendam camisinha
O Public Health England (Saúde Pública Inglaterra) recomendou que homens que estiveram em locais com registros da doença usem camisinha por 28 dias se sua parceira estiver grávida ou tentando engravidar. Já o homem que teve sintomas de zika ou o vírus confirmado em exames laboratoriais deve evitar sexo sem proteção por seis meses.


Fonte: http://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/redacao/2016/02/02/cidade-dos-eua-diz-ter-registrado-transmissao-sexual-de-zika.htm