terça-feira, 30 de junho de 2015

Médicos recomendam check-up para garantir viagem de férias tranquila


Especialistas alertam para a importância de realizar exames e consultas antes de viagens e dizem que prevenção é o melhor remédio. Quem tem doença crônica deve redobrar atenção.

Cachoeiras e trilhas, praias paradisíacas, chalés na serra, países a serem desbravados, o aconchego de cidadezinhas do interior. Não importa o destino. Com a proximidade das férias escolares, o planejamento de viagem está na ordem do dia para muitas pessoas. O melhor lugar para se hospedar, passaporte e pacotes de passeios são alguns dos muitos itens a se pensar. No entanto, já no destino, todo o planejamento pode ir por água abaixo devido ao aparecimento de um problema de saúde. Para evitar dores de cabeça e outros males, o ideal é realizar um check-up antes da viagem, que inclui exames para identificar doenças crônicas, prescrição de tratamento e até mesmo atualização da caderneta de vacinas. “O check-up é a garantia de que a pessoa está viajando em boas condições de saúde e com as recomendações médicas adequadas no caso da identificação de algum risco”, afirma Ariovaldo Mendonça, médico responsável pelo check-up do Grupo Hermes Pardini.

A palavra-chave para a viagem correr da melhor maneira possível é a prevenção. “Muitos vão para uma aldeia pequena sem atendimento ou sem hospital ou para um resort onde vão comer e beber por 24 horas. Tudo muito fora de seu hábitat. As pessoas andam mais, comem mais, praticam esportes que não estão acostumados”, explica Mendonça. O check-up, segundo ele, é recomendado para todas as pessoas, mas ainda mais para diabéticos, obesos, hipertensos, cardíacos, que receberão orientações específicas antes da partida. O médico alerta ainda para a importância da avaliação dos pacientes crônicos. O primeiro passo é a anamnese. A partir de um questionário sobre hábitos de vida, o médico irá identificar fatores de riscos e possíveis aspectos a serem investigados.
O passo seguinte é a consulta com sete especialistas: cardiologista, clínico geral, dermatologista, oftalmologista, fonoaudiólogo, nutricionista e, dependendo do sexo, ginecologista e mastologista ou urologista. Também são realizados 11 procedimentos, entre os quais, audiometria, bioimpedância, ultrassom abdominal, pélvico e de tireoide. Além disso, são realizados 40 exames laboratoriais para identificar os mais frequentes fatores de risco. O custo dos pacotes oferecidos por estabelecimentos médicos varia de R$ 500 a R$ 2,8 mil. “É importante fazer o check-up. Uma pessoa com pressão 20 por 11 não pode viajar. Está sujeita a sofrer um ataque cardíaco ou um acidente vascular cerebral”, diz. Os exames são realizados num período de seis horas e levam cerca de seis dias para ficar prontos.

ALIMENTAÇÃO EXÓTICA Para as pessoas com problemas crônicos que vão viajar para locais distantes ou em que haja dificuldade no atendimento hospitalar, é importante levar a medicação. Também é imprescindível ter a receita em caso de alguma eventualidade. “É indicado principalmente para viagens ao exterior. Mesmo no Brasil, também é bom estar preparado.”

Ao escolher o destino, é importante saber da temperatura e qual o tipo de alimentação. Um clima muito diferente ou um prato típico muito incomum podem desencadear problemas como alergias. “As pessoas vão para países onde se come escorpião, cobra, alimentos que não fazem parte dos nossos hábitos. Em viagens, as pessoas querem experimentar, mas é bom evitar esse tipo de coisa, prestar atenção ao que se está comendo. A pessoa pode ter uma crise alérgica”, alerta Mendonça. A diferença de ingredientes também é algo que tem que ser levado em consideração, como o uso do dendê e a pimenta na culinária. “Todo o cuidado é pouco para se ter férias tranquilas.”

Outra recomendação é a atenção com a prática de exercícios físicos. Muitas pessoas estão sedentárias, mas, no momento de descanso, resolvem praticar esportes, muitas vezes, testando os próprios limites. “A pessoa não tem costume, mas nas férias joga quatro horas de peteca ou vôlei. Poderá ter uma lesão”, explica. É sempre bom avaliar se a atividade física é compatível com sua faixa etária e com o condicionamento físico.


Vacinas são essenciais 


As vacinas são itens indispensáveis ao se planejar uma viagem. Com o retorno de circulação de algumas doenças esse é um cuidado essencial. A reincidência do sarampo e da coqueluche em todo o mundo, é fundamental tomar a tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) e a tríplice bacteriana (difteria, tétano e coqueluche). “A maioria das pessoas não tem o cartão vacinal, não tem certeza se tomou a vacina e as doses de reforço. A recomendação é que se vacine. É melhor pecar pelo excesso do que pela falta”, diz a especialista em medicina do viajante Marilene Lucinda.

Também são indicadas as vacinas contra meningite. Existem disponíveis três medicamentos: a meningocócica C, a quadrivalente e, mais recentemente disponível no Brasil, a meningocócica B. Para quem viaja para Ásia, África e as regiões Nordeste e Norte do Brasil, são indicadas as vacinas de hepatite A e B. Para algumas viagens ao exterior, é exigido que o cartão de vacina internacional esteja em dia. Uma das aplicações exigidas é a de febre amarela.

VERSÃO INTERNACIONAL
 Depois de tomadas as doses, é necessário fazer a versão internacional do cartão de vacinas. O serviço é prestado em postos da Anvisa, em postos nos aeroportos e em Centros de Orientação do Viajante. Em Belo Horizonte, há um centro na Rua Paraíba. A vacina contra a gripe também é uma recomendação, uma vez que as pessoas irão passar por locais fechados e com grande circulação, como aviões e ônibus. Para quem tem mais de 50 anos, a indicação é a vacina pneumocócica. (MMC)


Fonte: http://sites.uai.com.br/app/noticia/saudeplena/noticias/2015/06/28/noticia_saudeplena,153942/medicos-recomendam-check-up-para-garantir-viagem-de-ferias-tranquila.shtml

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Ingerir placenta não traz benefícios à saúde, aponta estudo


Prática gerou polêmica após adesão de algumas celebridades.

Embora celebridades como Kourtney Kardashian e January Jones tenham aderido e recomendado para outras gestantes a prática de ingerir placenta após o parto, pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de Northwestern, nos Estados Unidos, afirmam que não há indícios comprovados de que esse isso possa trazer algum benefício à saúde. O consumo do órgão, seja cozido, in natura ou em cápsulas, tornou-se popular após a evidência de que poderia livrar a mulher de problemas na fase que sucede a gestação.
Os pesquisadores analisaram dez publicações recentes sobre o assunto. O levantamento não apresentou dados que pudessem apoiar a convicção de que comer placenta protege a mulher de problemas comuns do pós-parto como depressão, dores, falta de energia, elasticidade da pele e carência de ferro no organismo. O mais preocupante, segundo os cientistas, é o fato de não haver estudos para avaliar os riscos de ingerir placenta, já que o órgão também atua como filtro que proteg
— Algumas mulheres já relataram que perceberam melhoras com a prática. Mas os resultados de testes em ratos não podem ser traduzidos para benefícios humanos — afirma Crystal Clark, uma das autoras da pesquisa.
Crystal conta que ficou surpresa após perceber que a prática estava mais generalizada do que ela imaginava: algumas de suas pacientes chegaram a indagar se a placenta seria usava na produção de remédios antidepressivos.
Cynthia Coyle, também autora do levantamento, recomenda que a mulher tenha cuidado antes de optar por consumir a placenta, pois não há evidências de benefícios e riscos potenciais. De acordo com a professora, a investigação é importante para fornecer essas e outras respostas, além de alertar médicos quanto às informações dadas às pacientes durante a gestação.
— Não há regras referentes à forma como a placenta deve ser armazenada e preparada. As mulheres não sabem o que, de fato, estão consumindo com uma dosagem volúvel — acrescenta ela.

Fonte: Zero Hora

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Mexer no celular gera problemas graves na coluna


Diversas tarefas realizadas no dia a dia prejudicam a coluna, como ficar muito tempo sentado, dormi em posições erradas, ficar longas horas na frente do computador e mandar mensagens pelo celular. Este último caso têm lotado as recepções das clínicas.

Nos Estados Unidos, uma pesquisa sugere que 79% da população, com idade entre 18 e 44 anos, ficam com seus celulares próximos a eles durante 22 horas por dia. O uso prolongado desta tecnologia interfere na saúde da coluna. Quando a cabeça está levantada e a coluna ereta, o peso está todo equilibrado. No momento em que a cabeça está posicionada para o chão, é como se uma criança de 8 anos estivesse sentada no pescoço. E é justamente esta a posição que as pessoas ficam quando estão mexendo em seus celulares.

A dor provocada pela posição caída da cabeça recebeu o nome de Text Neck e tem como sintomas: a dor de cabeça crônica; a dor nas costas, nos ombros e no pescoço e a mudança na curvatura da espinha.

A prevenção é a melhor forma de não sofrer com os problemas na coluna, mas há outras dicas:

- Segurar o celular na altura dos olhos;

- Fazer intervalos para se distanciar de celulares e computadores;

- Realizar alongamentos durante o dia;

- Fazer exercícios físicos.

A falta de cuidados pode ocasionar deformidades nas estruturas vertebrais, antecipar lesões discais e artrose. Caso uma dor de cabeça forte ou na coluna comece, busque um médico. Não deixe o tempo passar, porque o problema pode piorar muito.


Fonte: http://www.blogdasaude.com.br/saude-fisica/2015/06/23/mexer-no-celular-gera-problemas-graves-na-coluna/

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Estudantes criam preservativo que muda de cor ao detectar DST


Estudantes do Reino Unido, Daanyaal Ali, Chirag Shah, ambos com 14 anos, e Muaz Nawaz, 13, venceram o prêmio TeenTech, que premia jovens com invenções benéficas para a humanidade, pela ideia do preservativo que muda de cor conforme a detecção de alguma DST (Doença Sexualmente Transmissível).

A ideia do preservativo tem como objetivo facilitar a vida das pessoas e as ajudarem na detecção de doenças. Segundo pesquisa realizada pelo grupo, apenas em 2013, 145 mil diagnósticos de DSTs ocorreram na Inglaterra.

Para elaborar o projeto, os estudantes receberam a ajuda dos professores de ciências, que explicaram as reações químicas do organismo em contato com o material da camisinha. Em uma entrevista para a BBC, os rapazes explicaram que os fluídos, eliminados durante a relação sexual, ao entrarem em contato com o látex causa uma reação, caso a pessoa apresente alguma doença, que promove a mudança da cor do preservativo.

Os estudantes afirmam que a mudança da coloração ocorreria nos dois lados da camisinha e as cores seriam diferentes para cada doença: azul para sífilis, amarelo para herpes, verde para clamídia e roxo para verrugas genitais.

Uma empresa de preservativo já entrou em contato com os meninos com interesse em desenvolver a ideia.

Além do prêmio, eles ganharam mil libras para a escola e irão conhecer o Palácio de Buckingham.


Fonte: http://www.blogdasaude.com.br/saude-fisica/2015/06/24/estudantes-criam-preservativo-que-muda-de-cor-ao-detectar-dst/

quarta-feira, 24 de junho de 2015

'É preciso integrar os planos ao SUS', diz novo presidente da ANS


São Paulo - Médico pediatra especializado em administração hospitalar, o médico José Carlos de Souza Abrahão, de 63 anos, toma posse nesta terça-feira, 23, no Rio, do cargo de diretor-presidente da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), órgão que regula o setor responsável pela saúde de 50 milhões de brasileiros.

Em entrevista exclusiva, ele afirma que, durante seu mandato de dois anos, pretende aumentar a integração entre os planos e o SUS, intensificar a cobrança de ressarcimento das operadoras e combater o desperdício de recursos tanto na realização de procedimentos desnecessários quanto na gestão inadequada das empresas.

O novo diretor afirma que a primeira medida que pretende tomar é trabalhar com a "agenda regulatória que está calcada no tripé da garantia de acesso com qualidade, sustentabilidade do setor, não só econômica mas também assistencial, e a integração com o Sistema Único de Saúde (SUS)". "Primeiro, a gente tem que. O Brasil tem um grande sistema nacional de saúde. O que nós precisamos é trabalhar bastante o diálogo, o relacionamento entre todos esses atores para que nós possamos realizar uma regulação adequada sempre focada no consumidor", diz Abrahão.

Consumidor x operadoras

O médico acredita no estímulo de campanhas pelo uso consciente do "sistema de saúde brasileiro e do sistema de saúde suplementar". "A sua preservação acontecerá por meio de um conjunto múltiplo de ações, como critérios no processo de incorporação tecnológica, desenvolvimento de protocolos clínicos, avaliação do custo-efetividade dos procedimentos, combate ao desperdício. Temos de rediscutir o modelo de remuneração entre operadoras e prestadoras, precisamos reduzir o custo setorial e a imprevisibilidade; e não podemos esquecer que a sociedade mundial e a brasileira conseguiram uma conquista, que é a maior sobrevida da nossa população, mas essa maior sobrevida leva a um perfil epidemiológico importante, com mais doenças neurodegenerativas", diz.

SUS

"A saúde suplementar é um braço do sistema nacional de saúde", diz Abrahão sobre aumentar a integração com o SUS. "Temos várias ações na saúde suplementar que muitas vezes se sobrepõem às ações do SUS. Então, a integração dos dois sistemas é fundamental. Um outro ponto é que estamos cada dia mais preocupados com o ressarcimento do sistema único, a nossa responsabilidade com a coisa pública é permanente e o programa do ressarcimento vai continuar sendo fortalecido", completa.

Sobre como a como a ANS pode ser mais incisiva contra as operadoras que negam cobertura, o novo presidente avalia: "há uma consulta pública agora em que estamos fazendo com que as operadoras tenham as suas ouvidorias para atender presencialmente os seus beneficiários. É mais uma medida para estimular a operadora a oferecer um atendimento de melhor qualidade".

Fabiana Cambricoli

Fonte: http://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/estado/2015/06/23/e-preciso-integrar-os-planos-ao-sus-diz-novo-presidente-da-ans.htm

terça-feira, 23 de junho de 2015

Diagnóstico inédito do Ministério do Esporte mostra que sedentarismo no Brasil atinge 45,9% da população


Região Sudeste é a que concentra o maior número de sedentários com 54,4%.

Diagnóstico inédito do Ministério do Esporte (ME) sobre a prática de esportes e atividades físicas lançado nesta segunda-feira (22/06) mostra que 41,2% dos brasileiros e 50,4% das brasileiras são sedentários; a média é de 45,9%. Outro dado que serve de alerta para a população é o de que entre os 25,6% adeptos regulares do esporte e os outros 28,5% de atividades físicas, a grande maioria não recebe nenhuma orientação de profissional. A afirmação é de 90,3% dos esportistas e se refere a 71,7% daqueles que preferem uma caminhada ou academia. A Organização Mundial de Saúde (OMS) classifica como não sedentário quem faz alguma atividade física de três a cinco vezes por semana por pelo menos 30 minutos.

Ao todo, foram realizadas 8.902 entrevistas para o Diagnóstico Nacional do Esporte: Diesporte (acesse a íntegra da pesquisa) com pessoas entre 14 e 75 anos. A pesquisa detalhou as informações por região do país e identificou, ao contrário do que se costuma imaginar, que é na região Sudeste onde se concentra a maior parte dos sedendários: 54,4%. O Norte do Brasil é a região com mais gente se exercitando, 37,4% se declararam sedentários. No Nordeste são 38,5% de pessoas sem praticar nenhuma atividade física e, na sequência, Sul (39,3%) e Centro-Oeste (45,1%). 

Se compararmos a incidência do sedentarismo dos brasileiros com os vizinhos latino-americanos, o Brasil está em uma situação melhor que a Argentina, que tem 68,3% da população sedentária, mas pior que o Uruguai: 34,1% não se exercita por lá. O diagnóstico do ME, aponta Índia (15,6%) e Inglaterra (17%) como os países com menores taxas de sedentários. 

Não falta informação
O curioso da pesquisa é que 80,4% das pessoas entrevistadas afirmaram conhecer os riscos que a falta de atividade física pode trazer e responsabilizaram a falta de tempo (69,9%) pela decisão de não se exercitar. A preguiça aparece em segundo lugar com 7% das justificativas e a falta de motivação foi apontada por 6,1% da população.

Para quem não sabe, a prática regular de atividade física, segundo o Ministério do Esporte, fortalece os músculos, melhora a frequência dos batimentos cardíacos e circulação, reduz sintomas da ansiedade e depressão e ainda evita ou controla doenças como obesidade, diabetes e osteoporose.

Perfil
A faixa etária mais expressiva de brasileiros que pratica esporte ou atividade física é entre 16 e 24 anos. Por outro lado, é a que se mostrou mais suscetível a abandoná-las: 45% dos entrevistados declararam que deixaram de se exercitar no ano de 2013*. Tal fato sugere que a decisão coincide com o período em que o indivíduo, de ambos os gêneros, sai da escola para o mundo do trabalho. Segundo o MS, a análise desses dados mostra que quase 90% dos brasileiros abandonam a prática esportiva até os 34 anos. 

A escola e a universidade foram apontadas como o local do início da prática esportiva para 48%, seguida por espaços públicos abertos com estrutura (15,6%) e espaço aberto sem infraestrutura aparece na terceira posição (9,9%). Segundo o próprio Ministério do Esporte, esse raio X da situação do sedentarismo brasileiro vai impulsionar decisões de políticas públicas.

Para os praticantes de esporte, a principal motivação é a qualidade de vida (41,4%), seguida de desempenho físico (37,8%). A situação se repete entre os adeptos de alguma atividade física: 36,3% querem mais qualidade de vida e 29,3%, desempenho físico. Nessa categoria, 4,5% disseram que a indicação médica foi o que pautou a decisão.

Preferências
Sem surpresas, o futebol aparece como o esporte preferido e foi o mais praticado em 2013 para 42,7% dos entrevistados. Na sequência, aparecem a caminhada (8,4%) e o voleibol (8,2%). Quando os dados são analisados por gênero, o futebol fica em segundo lugar para as mulheres (19,2%). O preferido delas é o voleibol (20,5%). 


Fonte: http://sites.uai.com.br/app/noticia/saudeplena/noticias/2015/06/22/noticia_saudeplena,153855/diagnostico-inedito-do-ministerio-do-esporte-mostra-que-sedentarismo-n.shtml

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Barulho do tráfego está associado ao aumento da barriga


A obesidade é uma condição que predispõe o desenvolvimento de diversas doenças. A Organização Mundial da Saúde estima que cerca de três milhões de pessoas morram por ano em consequência do sobrepeso e obesidade. Devido ao seu crescimento epidêmico nos últimos anos e seus efeitos prejudiciais ao organismo (como diminuição da qualidade e encurtamento do tempo de vida) muito tem se estudado sobre as possíveis causas da obesidade. Sedentarismo maus hábitos alimentares associados à urbanização são as principais. No entanto, muitas outras podem ter uma contribuição importante.

Pouco tem sido estudado sobre os efeitos no organismo de uma das principais consequências da urbanização - o aumento do setor de transportes e seus ruídos. Algumas pesquisas revelam que o barulho do tráfego é um importante fator de risco para doenças cardiovasculares, tais como hipertensão, infarto e acidente vascular cerebral (AVC ou derrame). No entanto, pouco se sabe sobre seu efeito sobre o metabolismo.

Preenchendo esta lacuna, foram publicados recentemente dois trabalhos científicos que tiveram por objetivo estudar uma possível associação entre intensidade do ruído do tráfego e marcadores de obesidade. Um dos estudos foi realizado na Noruega, onde foram acompanhados mais de oito mil participantes por um período de 10 anos. O outro estudo foi na Suécia, onde mais de cinco mil participantes foram acompanhados por um período de 8 a 10 anos. Os marcadores de obesidade avaliados foram o índice de massa corporal, a circunferência abdominal e a relação entre cintura e quadril. A exposição ao ruído do tráfego foi medida seguindo a Diretiva Europeia de Ruído Ambiental e três tipos principais de ruídos foram identificados: os provocados pelo tráfego de automóveis, de aviões e de trens.

Os resultados das pesquisas revelaram que há uma associação proporcional e positiva entre a intensidade de ruído a que o individuo está exposto e sua circunferência abdominal. Quanto mais ruído maior a circunferência. Além disso, o risco para um aumento da cintura cresce com a associação de ruídos de diferentes origens. Assim, aqueles que estão expostos a ruídos de somente uma origem (tráfego de automóveis, por exemplo) têm uma chance 25% maior de ter aumento abdominal que aqueles que não estão expostos. Este risco dobra para aqueles expostos aos ruídos das três origens (avião, carro e trem). E este aumento é proporcional à intensidade de ruído.

As explicações para estes achados estão ligadas a fatores indiretos desencadeados pelos ruídos. Seriam eles o estresse crônico (produzindo aumento do hormônio cortisol) e as alterações de sono. Estes mesmos fatores que são responsáveis pelas doenças cardiovasculares estariam na gênese do desenvolvimento da obesidade abdominal.

Além do seu tom de curiosidade, estes resultados podem servir de importante subsídio para a abordagem multifatorial da prevenção e tratamento da obesidade. 
Autor: Equipe ABC da Saúde

Referência Bibliográfica

·         -Occupational & Environmental Medicine 2015;0:1-8. doi:10.1136/oemed-2014-102516

·         -EnvironmentalResearch 138(2015)144-153 doi.org/10.1016/j.envres.2015.01.011