A quebra da Unimed Paulistana,
anunciada nesta quarta-feira (2) pela Agência Nacional de Saúde Suplementar
(ANS), atinge diretamente cerca de 744 mil clientes.
Até que esses contratos sejam vendidos para outra
operadora, a empresa, na teoria, precisa garantir o atendimento. Em nota, a
Unimed Paulistana diz que o atendimento "continua normalizado".
Consumidor já enfrenta
dificuldade
Na prática, porém, os consumidores já vêm
enfrentando dificuldade para agendar consultas e exames, e isso deve continuar
acontecendo nos próximos meses, alertam especialistas em direitos do
consumidor.
Vários hospitais e laboratórios pararam de atender clientes da empresa ultimamente,
e mais descredenciamentos podem ocorrer agora que a quebra foi oficialmente
anunciada.
Assim, apesar de a empresa estar obrigada a atender
seus clientes atuais, pode ser que, nos próximos dias, eles não consigam
atendimento com os profissionais, clínicas ou hospitais de sua
preferência.
Melhor ligar antes
"Recomendo que qualquer cliente, antes de se
dirigir a um local para consulta, internação ou exame, ligue antes para saber
se ainda atendem pela Unimed Paulistana", diz o advogado especializado em
planos de saúde Rodrigo Araújo, sócio do escritório Araújo, Conforti e
Jonhsson.
Caso o hospital com o qual o cliente está
acostumado não esteja mais prestando atendimento, a empresa terá, então, de
apresentar alguma solução, como encaminhá-lo para seus hospitais próprios.
Mesmo assim, alerta Rodrigo Araújo, é natural que a
rede própria sofra um aumento de procura nos próximos dias, e o cliente demore
para conseguir atendimento.
Reclamações
Se o consumidor se sentir prejudicado, ele deve
registrar uma reclamação nos órgãos de defesa do consumidor, como o Procon, e
na ANS (no telefone 0800 7019656).
Quem está internado, tem cirurgia
ou tratamento contínuo
Clientes que já estão internados devem continuar
sendo atendidos no mesmo hospital, mesmo que ele seja descredenciado agora, diz
a coordenadora institucional da associação de consumidores Proteste, Maria Inês
Dolci.
Caso haja problemas nesses casos, a orientação da
advogada é que os clientes entrem com pedido de liminar na Justiça para
garantir o serviço.
Quem tem cirurgia agendada ou está fazendo
tratamento contínuo (de doenças como câncer, por exemplo) pode encontrar
dificuldade de continuar sendo atendido no mesmo hospital, e a recomendação é
buscar a Justiça também nessas situações, caso uma solução satisfatória não
seja apresentada.
Sugestão: procurar outra
operadora
O advogado Rodrigo Araújo sugere que, se possível,
o consumidor, em vez de esperar a venda dos contratos, já busque outra
operadora para tentar fazer a transferência do seu plano.
A transferência (chamada de
portabilidade) permite que o cliente troque de plano sem precisar cumprir
novas carências e vale para planos individuais e coletivos por adesão
(contratados por meio de entidades de classe). Não vale para planos empresariais
(que as empresas oferecem para seus funcionários).
"Mesmo que o consumidor não consiga fazer a
portabilidade, se ele tiver boa saúde, pode ser melhor mudar de plano agora,
apesar da carência", diz.
Migração vale a pena?
Segundo Maria Inês Dolci, nas últimas semanas
algumas entidades de classe enviaram cartas a seus associados sugerindo a
migração dos planos da Unimed Paulistana para os de outras operadoras. A
recomendação da advogada é aceitar a migração nesses casos.
Para quem está em tratamento, porém, a melhor saída
é mesmo esperar a venda dos planos. "Nesse caso, a pessoa não pode correr
o risco de ficar sem plano ou de cumprir carência, porque as carências para
doenças preexistentes são longas", afirma Rodrigo Araújo.
O advogado alerta, ainda, que a crise da empresa
afeta não só os clientes da Unimed Paulistana, mas usuários de todo o sistema
Unimed do país.
"Alguns clientes contratam planos com
cobertura nacional. Quando o paciente não encontra recursos médicos na Unimed
local, ele vem para São Paulo em busca de serviços especializados", diz.
"Em São Paulo, ele tem que fazer uso do sistema de convênio dos hospitais
com a Unimed Paulistana, pois as Unimeds de outras cidades não têm
credenciamento direto com eles."
Fonte:
http://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2015/09/02/quebra-da-unimed-paulistana-atinge-744-mil-clientes-saiba-o-que-fazer.htm

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