O Brasil
experimentou nos últimos anos uma grande expansão do crédito, o que
possibilitou o aumento de consumo de diversos tipos de bens por grande parte da
população, antes sem acesso a estes bens. São muitas as consequências
econômicas e pessoais deste processo, algumas positivas, outras nem tanto. O
endividamento produzido afeta vários aspectos da vida das pessoas, tanto no
plano individual como no familiar. Nos Estados Unidos, tanto a facilidade de
crédito como o endividamento pessoal existem a mais tempo e, também por isso,
suas consequências são mais estudadas.
Alguns
estudos indicam que o endividamento como fator de estresse é associado de forma
negativa a aspectos da vida do indivíduo, que vão do estado saúde até à relação
conjugal, passando pela capacidade de concluir os estudos.
Uma
pesquisa publicada recentemente na revista Journal of Family and
Economic Issues teve como objetivo investigar uma possível
associação entre endividamento e sintomas depressivos em adultos. Mais de
10.000 participantes entre 21 e 65 anos foram entrevistados entre 1987 e 1989 e
re-entrevistados entre 1994 e 1996. Na pesquisa foram avaliados tipo de
endividamento (curto ou longo prazo) e sintomas de depressão (reportados pelos
participantes e medidos por uma escala validada).
Setenta e
nove por cento dos participantes tinham algum tipo de dívida. Dentre esses, 62%
eram de curto prazo (do tipo contas vencidas ou cartão de crédito acumulado).
As pessoas com dívidas de curto prazo tiveram uma probabilidade
significativamente maior de apresentarem sintomas de depressão como tristeza,
falta de motivação, problemas para se concentrar, dificuldades para dormir ou
alterações de peso corporal. Curiosamente, esta associação não foi observada
nas pessoas com dívidas de longo prazo (financiamento da casa própria, por
exemplo). Isto pode ser devido ao fato que financiamentos de longo prazo são
mais planejados e incorporados a uma rotina financeira. Contrariamente, os
endividamentos de curto prazo, relacionados às compras feitas no impulso, de
bens muitas vezes desnecessários, são de difícil manejo e, aparentemente, mais
estressantes.
Apesar
das várias limitações metodológicas e analíticas deste tipo de estudo, o que
impede que seus resultados sirvam para conclusões definitivas, a pesquisa expõe
uma forte associação entre endividamento de curto prazo e sintomas
depressivos.
Isto pode
servir de alerta para o desenvolvimento de sistemas de proteção dos
consumidores que levem em conta os custos não financeiros diretos associados às
dívidas.
Autor: Equipe
ABC da Saúde
Referência Bibliográfica
·
-Journal of Family and Economic Issues - DOI
10.1007/s10834-015-9443-6

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