Um dos principais
elementos do estilo de vida que tem impacto sobre a saúde é a atividade física.
Na história da nossa civilização a maior parte das atividades cotidianas
demandava grande esforço. Com o progresso tecnológico mais recente o esforço
humano foi sendo substituído por máquinas e equipamentos e, portanto, novos
hábitos foram sendo criados.
Muitos desses novos
hábitos decorrentes do desenvolvimento, como assistir TV, usar a internet por
tempos prolongados e jogar vídeo games, implicam redução da atividade física e
são classificados como comportamentos sedentários. Mais recentemente, os
telefones celulares integraram estas funções em um só aparelho. Porém, sua
concepção para uso móvel não incluiria o seu uso nos comportamentos
sedentários. Sua inerente portabilidade permite que várias de suas funções
sejam desenvolvidas, tanto na inatividade física quanto durante uma atividade,
mesmo que moderada ou intensa, como uma caminhada rápida.
Apesar destes
pressupostos até agora a relação entre uso de celular e comportamentos
sedentários ainda não havia sido testada.
Um estudo publicado na
revista International Journal of Behavioral Nutrition and Physical Activity
apresenta uma pesquisa que avaliou em uma amostra de estudantes americanos a
relação entre frequência de utilização dos telefones celulares e parâmetros
relacionados com a atividade física, entre eles a aptidão física avaliada por
corrida em esteira.
Os resultados, apesar
de não serem surpreendentes, não deixam de ser preocupantes. Os participantes
que faziam maior uso do celular apresentaram comportamento sedentário, com
menores índices de aptidão cardio-respiratória e maior percentagem de gordura.
Esses fatores aumentam o risco para várias doenças.
Mesmo sendo um
aparelho portátil, o tempo de uso diário observado é muito grande. Os
participantes gastam, em média, cinco horas por dia em seus celulares,
utilizando suas múltiplas funções. A média de mensagens enviadas por
participante/dia chega perto de duas centenas. Provavelmente este tempo, com a
atenção voltada para compor, enviar e receber mensagens, conversar, jogar,
assistir vídeos, se inteirar das últimas notícias, etc., iniba o
desenvolvimento de atividades físicas corriqueiras e o engajamento em
atividades esportivas. Por outro lado, como este tipo de estudo não permite que
se estabeleça uma relação de causa-efeito, não se pode descartar a
possibilidade de que os menos adeptos das atividades físicas naturalmente vão
usar mais o celular.
Os comportamentos
sedentários considerados fixos já ocupam grande parte do dia (e parte da noite)
das pessoas, principalmente dos jovens, e sua influência vai além da atividade
física, afetando também outras funções vitais como o tempo de sono e o padrão
alimentar. O acréscimo de um novo comportamento sedentário em potencial, como o
uso demasiado do telefone celular, deve ser considerado nas avaliações do
impacto da hiper-conexão sobre fatores que podem prejudicar a saúde.
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