terça-feira, 30 de setembro de 2014

Quatro anos de vida: este é o preço da obesidade.

A obesidade é definida como excesso de gordura, e a sua medida, por muito tempo e por razões práticas, era feita pela avaliação do peso corporal, por meio de tabelas de peso ideal. Por volta dos anos 80, o peso ideal foi substituído pelo índice de massa corporal (IMC), que faz uma relação entre peso e altura, sendo uma avaliação mais acurada da obesidade. É considerado com sobrepeso o individuo com IMC de 25 a 30 e obeso o que tem IMC acima de 30. Mais recentemente, a circunferência abdominal tem sido agregada à avaliação de obesidade.
O excesso de gordura é amplamente reconhecido em todo o mundo como uma das principais ameaças à saúde, aumentando o risco de várias doenças crônicas como diabete tipo 2, doença cardiovascular e hipertensão arterial. A obesidade tem crescido de forma tão explosiva nas últimas duas décadas que vem sendo tratada como epidemia, e já existem estudos estimando um possível impacto desta epidemia num futuro próximo, não só sobre as doenças crônicas, mas também sobre a expectativa média de vida da população.
Uma pesquisa publicada na última semana na revista científica American Journal of Public Health examinou, em adultos, a associação entre a obesidade, avaliada pelo IMC, e o risco de morte por qualquer causa ou, especificamente, por doença cardiovascular. Os resultados foram produzidos a partir da avaliação de 16.868 pessoas de peso normal, com sobrepeso e obesas, por mais de uma década, nos Estados Unidos.
A análise estatística dos resultados da pesquisa demonstrou que a obesidade está associada a um aumento de 20% no risco de morte por qualquer causa ou por doença cardíaca, o que corresponde aos obesos morrerem em média 4 anos mais cedo do que os indivíduos de peso normal. Este risco aumenta quando são avaliados adultos obesos de 45 a 64 anos. Estes morrem 7 anos mais cedo quando comparados com adultos de peso normal da mesma faixa etária.
Estes resultados expõem o grande impacto que a recente epidemia de obesidade produz sobre o risco de mortalidade e morte prematura entre adultos. Este impacto tende a crescer num futuro próximo, pondo em risco, inclusive, o rápido crescimento da expectativa média de vida que tem-se verificado nas últimas décadas.
Agora, como nunca, a obesidade deve ser encarada como uma doença, pois, além de todos os prejuízos que traz aos seus portadores no presente, ameaça comprometer uma das principais conquistas da humanidade num futuro próximo, com a desaceleração do crescimento da expectativa média de vida.
Fonte
- American Journal of Public Health - doi: 10.2105/AJPH.2013.301597

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Uso de adoçante artificial pode alterar o metabolismo da glicose contribuindo para a obesidade e diabete

O adoçante artificial tem sido amplamente utilizado tanto nas dietas para reduzir o peso como nas dietas de controle do diabete. Os chamados adoçantes artificiais não-calóricos estão entre os aditivos alimentares mais usados em todo o mundo e são considerados seguros e benéficos no tratamento de obesidade e diabete. A lógica de seu uso baseia-se no fato de conterem compostos que têm o mesmo gosto que o açúcar, porém sem as calorias. Dessa maneira, o indivíduo pode ingerir alimentos e bebidas com sabor doce sem se preocupar com o açúcar e seus efeitos sobre o peso ou diabete.
Em alguns países, porém, o uso de adoçantes artificiais tornou-se indiscriminado e começaram a surgir questionamentos na literatura médica sobre a sua verdadeira eficácia.
Em 17 de setembro passado foram publicados online resultados de uma pesquisa sobre este tema na revista Nature, uma das revistas científicas de maior impacto na atualidade. Os pesquisadores estudaram o efeito dos adoçantes artificiais em camundongos e em humanos.
Camundongos alimentados com adoçantes artificiais apresentaram maior concentração de açúcar no sangue do que aqueles que não receberam adoçantes.
No estudo com humanos foram avaliados vários parâmetros clínicos em um grupo de 381 indivíduos. Houve uma correlação positiva entre alterações metabólicas e consumo de adoçante. Aqueles com maior consumo de adoçantes apresentaram maior peso, maior circunferência abdominal, maior glicemia de jejum e maior percentagem de hemoglobina glicosilada, todos parâmetros indicativos de alterações metabólicas. É importante salientar que este tipo de estudo em humanos não tem a capacidade de comprovar que as alterações foram causadas pelo adoçante.
Baseado em um conceito recente de que o metabolismo da glicose e o desenvolvimento de obesidade e diabete estão associados ao tipo de flora intestinal, os pesquisadores testaram a hipótese de que os adoçantes artificiais poderiam alterar a flora intestinal. O mecanismo proposto é o de que certas bactérias reagem aos adoçantes artificiais secretando substâncias que produzem uma resposta inflamatória que produz mudanças na capacidade do organismo processar a glicose. Esta mesma resposta é observada quando muito açúcar é ingerido.
Para testar a hipótese da flora intestinal os pesquisadores administraram antibióticos nos camundongos que receberam adoçantes artificiais. O nível de açúcar no sangue voltou ao normal. Além disso, foi feito um transplante de bactérias do intestino de animais que receberam adoçante para animais que nunca tinham recebido adoçante. Houve um aumento da glicose no sangue destes animais que anteriormente eram saudáveis, indicando que a flora intestinal tem efetivamente uma participação na metabolização da glicose e que os adoçantes artificiais, assim como o açúcar em excesso, podem alterar esta flora.
O conjunto destes resultados abre perspectivas para novos estudos que possam esclarecer definitivamente a relação entre adoçantes e obesidade. Até isso acontecer parece prudente não exagerar no adoçante e no açúcar.
A criação do hábito de evitar alimentos adoçados, seja por açúcar ou adoçante artificial, pode trazer enormes benefícios à saúde. E, para matar a sede, nada de bebida doce ou refrigerante! Água é o melhor remédio.
Fonte
-Nature doi:10.1038/nature13793

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Quer reduzir o risco de diabete tipo 2? - Frutas vermelhas, chá e chocolate

Diabete tipo 2 é uma doença metabólica crônica que se caracteriza pelo aumento do açúcar no sangue, e vem tomando proporções epidêmicas nos últimos anos. Está associada com doença cardiovascular e hipertensão arterial, e seu desenvolvimento é ligado ao estilo de vida, principalmente o padrão alimentar, obesidade e sedentarismo. Para agravar a situação, a maioria dos indivíduos que possuem riscos objetivos de desenvolver a doença ignora estes riscos.
Novas e gostosas notícias vindas do Reino Unido podem rechear o nosso dia-a-dia com elementos que servem de prevenção para o desenvolvimento de diabete tipo 2. Uma pesquisa realizada na Inglaterra, e recentemente publicada na revista científica The Journal of Nutrition, sugere que substâncias encontradas em grande quantidade no chá, frutas vermelhas e chocolate auxiliam na proteção contra o diabete.
O estudo foi conduzido em 1997 mulheres de 18 a 76 anos, e observou a associação entre alimentação e a glicemia (quantidade de açúcar no sangue), a proteína C reativa, que é um marcador de inflamação crônica do organismo (a inflamação crônica está associada com diabete, obesidade doença cardíaca e câncer), e a concentração de insulina no sangue (que indica o grau funcionamento da insulina). A atenção foi dirigida para alimentos que contêm um grupo de substâncias chamado de flavonóides, especificamente a flavona, encontrada em maior quantidade em chá, vegetais e temperos como aipo e salsa, e a antocianina, encontrada em uvas, frutas vermelhas e vinho tinto.
Os resultados revelados pela pesquisa indicam que o consumo de altas quantidades de flavonas e antocianinas está associado a uma melhor regulação do açúcar no sangue, a um melhor funcionamento da insulina e a um menor nível de inflamação crônica.
Estes resultados se inserem em um robusto conjunto de evidências científicas que reforçam a importância da boa alimentação na prevenção de doenças e promoção da saúde.
Fonte
- The Journal of Nutrition, 144: 202–208, 2014.

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Terapia com testosterona aumenta o risco de infarto

O uso de testosterona tem crescido nos últimos anos. A maior parte do uso se concentra entre homens de meia idade e com idades acima de 65 anos, na expectativa de superar perdas de energia sexual e massa muscular, associadas à diminuição de testosterona. Muitos jovens adeptos do fisiculturismo passaram, também, a usar testosterona e derivados para apressar o ganho de massa muscular. O aumento da venda de testosterona tem sido vertiginosa, segundo fontes do setor, superando a do Viagra no ano de 2013 nos Estados Unidos.
Algumas pesquisas recentes já vinham alertando para os perigos da utilização da testosterona fora das indicações muito rígidas para determinados problemas endocrinológicos. Porém, a maior parte destes estudos não foi conclusiva, devido, principalmente, a limitações metodológicas, o que reduz o seu impacto e aplicabilidade. No entanto, no dia 29 de janeiro último, foi publicado uma pesquisa mais ampla e consistente na revista científica online PLoS One, onde os cientistas conduziram um estudo utilizando uma base de dados de mais de 55 mil indivíduos.
Foi avaliado o risco de infarto agudo do miocárdio pelo acompanhamento da incidência deste evento no período de 90 dias após o início do uso de testosterona. O risco de ataque cardíaco dobrou neste período para homens acima de 65 anos e para aqueles abaixo de 65 anos com história de doença cardíaca. Após os 90 dias, aqueles homens que não continuaram com o tratamento com testosterona retornaram ao risco cardíaco que tinham antes de tomar o hormônio.
Os pesquisadores alertam que não existem evidências que garantam segurança para o uso em jovens sem história de doença cardíaca e que usam o hormônio sem uma indicação médica adequada.
Desde que este tipo de estudo epidemiológico não determina relações de causa e efeito, os possíveis mecanismos pelos quais a reposição de testosterona causaria o ataque cardíaco são especulativos. Um caminho plausível é o provável efeito da testosterona em promover a formação de coágulos, levando a uma obstrução das artérias coronárias e o consequente infarto. Certamente, mais estudos são necessários para esclarecer a biologia desta relação.
Até lá, o uso de testosterona deveria ser restrito às indicações médicas indiscutíveis, e baseado nas melhores evidências científicas disponíveis.
Fonte
- PLoS ONE 9(1): e85805. doi:10.1371/journal.pone.0085805.

terça-feira, 23 de setembro de 2014

O ritual de tomar o remédio junto com a informação ao paciente pode influenciar o tratamento

O desenvolvimento da medicina tem sido muito expressivo nas últimas décadas e hoje em dia existe uma quantidade enorme de medicamentos que são usados regular ou eventualmente pela população para combater doenças físicas e emocionais.
Os estudos que fazem o desenvolvimento e teste de novos medicamentos utilizam como controle negativo uma substância inativa em um grupo de pacientes que não sabem que a pílula não contém o princípio ativo que agiria sobre a doença. Esta substância é chamada de placebo. Muitas vezes um placebo é usado clinicamente, pois o benefício psicológico e a expectativa de bem-estar do paciente contribuem decisivamente para o seu tratamento, mesmo que não tenha nenhuma ação farmacológica direta sobre a doença ou seus sintomas.
Há uma idéia geral em medicina que a eficácia de um medicamento, assim como de um placebo, é influenciada por fatores como a expectativa criada no paciente pelas informações dadas pelo médico sobre aquele tratamento. Supunha-se que o efeito positivo do placebo era alcançado quando o paciente não sabia que a pílula que estava ingerindo não continha um principio ativo efetivo, mas era informado que aquele fármaco poderia trazer benefícios ao seu tratamento. Muitas vezes, até a cor do remédio pode influenciar a percepção do paciente sobre sua real eficácia; uma injeção de cor vermelha, por exemplo, pode dar a sensação de que aquele é um remédio “mais forte” e eficiente.
Recentemente uma pesquisa publicada na revista científica Science Translational Medicine abre uma nova perspectiva de interpretação sobre o efeito placebo. Os participantes do estudo eram pacientes com enxaqueca. A enxaqueca foi escolhida como modelo por ser uma desordem de natureza repetitiva, permitindo aos pesquisadores comparar a eficácia do medicamento e do placebo em ataques consecutivos, usando em cada ataque diferentes condições de informação sobre o fármaco que o indivíduo estava tomando. O primeiro ataque de enxaqueca do participante no estudo não era tratado e servia como controle. Em seis ataques subsequentes o participante tomava uma pílula que era um placebo ou uma droga de conhecida eficácia sobre enxaqueca (rizatriptano). A pílula era administrada sob três condições de informação diferentes, etiquetadas como placebo, placebo ou fármaco e fármaco.
A intensidade da dor era registrada em um escore de 0 a 10 em diferentes tempos após a ingestão da pílula. Como esperado, o fármaco etiquetado como fármaco teve mais efeito que o placebo etiquetado como placebo. Por sua vez, o placebo quando etiquetado como fármaco teve a mesma eficácia que o fármaco etiquetado como placebo (este é o conhecido “efeito placebo”). A grande novidade do estudo vem do efeito produzido quando o participante tomava a pílula de placebo etiquetada como placebo. A dor foi menor do que no primeiro quando o participante não recebeu tratamento. Mesmo sabendo que estava ingerindo uma pílula que não continha o fármaco de combate a dor, a dor diminuiu.
A conclusão dos pesquisadores é a de que a informação dada ao paciente, associada ao ritual de tomar a pílula, são importantes componentes do tratamento, seja a pílula um placebo ou um fármaco.
Fonte
- Science Translational Medicine - 8 January 2014 Vol 6 Issue 218.

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Quanto mais açúcar você come, maior a chance de morrer do coração

Os efeitos nocivos do excesso de açúcar na alimentação já são bem difundidos pela comunidade científica. Esses efeitos têm sido estudados, principalmente, sobre alterações no metabolismo produzidas pelo excesso de açúcar e que levam às doenças crônicas como a obesidade e diabete tipo 2.
Um estudo produzido pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos e publicado recentemente na revista Journal of American Medical Association – JAMA, expõe uma associação entre o consumo excessivo de açúcar e o risco de morte por doença cardíaca independentemente dos outros problemas de saúde causados pelo excesso de açúcar. Estudos epidemiológicos prévios já indicavam que a maior ingestão de açúcar está associado com o risco de doença cardiovascular. Este novo estudo se propôs a investigar a associação entre este consumo e a mortalidade por doença cardiovascular.
A quantidade de açúcar contido em uma dieta média Americana é suficiente para aumentar em 20% o risco de morte por doença cardíaca. Em 70% dos adultos investigados, 10% ou mais das calorias diárias ingeridas provém de açúcar adicionado aos alimentos. Outros 10% de adultos ingerem 25% ou mais de suas calorias diárias provenientes do açúcar. Nestes dez por cento de pessoas que ingerem um quarto ou mais de suas calorias na forma de açúcar, o risco de morrer de doença cardiovascular é dobrado. O conjunto de dados caracteriza o que costuma se chamar uma curva dose-resposta, quanto maior a dose (no caso a ingestão de açúcar adicionado) proporcionalmente maior é o efeito (risco de morrer de doença cardíaca). Mesmo não caracterizando uma relação de causa efeito, a curva dose-resposta adiciona robustez às conclusões do estudo.
Este consumo de açúcar adicionado ao alimento muitas vezes é insidioso. Muitos alimentos industrializados possuem açúcar (não somente os doces) para melhorar o sabor, textura, etc. Nos Estados Unidos 37% do açúcar adicionado à dieta provém das bebidas adoçadas (refrigerantes e sucos adoçados). Uma lata de 355 ml de refrigerante contém, em média, 9 colheres de chá de açúcar, o que corresponde a 140 calorias. Uma lata de refrigerante por dia já é o suficiente para aumentar o risco. Os pesquisadores alertam que mesmo a pessoa ingerindo uma quantidade adequada de calorias diárias e não tendo sobrepeso, o refrigerante ou suco adoçado tomado diariamente pode ter impacto no risco de mortalidade por doença cardíaca.
Além das bebidas adoçadas o açúcar aparece nos alimentos tipicamente identificados como doces, incluindo neste grupo, as tortas, bolos, balas, sorvetes, achocolatados e iogurtes (é um alimento associado com saúde, porém é difícil encontrar aqueles naturais, não adoçados). Muitos alimentos possuem açúcar e não são doces, como molho de saladas, pães, ketchup.
A quantidade limite recomendável é muito variável. Pelo estudo aqui descrito, até 10% do total das calorias diárias de açúcar adicionado parece seguro quanto ao desfecho doença cardíaca. Cabe salientar que não está se falando da percentagem de carboidratos ingeridos, e sim do açúcar adicionado.
Deve-se ter atenção com ingredientes com a terminação "-ose" descrito nas etiquetas das embalagens dos alimentos industrializados. Frutose e sacarose são sinônimos de açúcar.
Seja a quantidade de açúcar adicionado ou alimento industrializado, vale a máxima: quanto menos, melhor.
Fonte
- JAMA Intern Med. Published online February 03, 2014. doi:10.1001/jamainternmed.2013.13563.

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Suplemento de vitamina E e betacaroteno não reduz risco de doença cardíaca e de câncer

O uso de suplementos multi vitamínicos tem crescido muito nos últimos anos. Muitos estudos têm examinado a associação entre determinadas vitaminas com a doença cardíaca e o câncer, porém os resultados são conflitantes por motivos metodológicos, e, até agora, não permitiram uma conclusão mais definitiva sobre possíveis benefícios da ingestão de vitaminas.
Mesmo assim, um possível benefício, sugerido pelos resultados de algumas destas pesquisas, é apontado como uma das razões para o aumento de consumo de vitaminas. O raciocínio de que uma insuficiência de vitaminas antioxidantes (como vitaminas A, C, E, betacaroteno e ácido fólico) estaria associada às alterações vasculares que ocorrem nas doenças cardiovasculares, serviram de base para a hipótese que a suplementação de vitaminas pode reduzir o risco de determinadas doenças. Esta associação entre um possível papel da regulação das vitaminas sobre o sistema cardiovascular levou as pessoas a ingerirem vitaminas específicas, ou complexos multi vitamínicos, pensando em reduzir o risco de desenvolverem doença cardíaca. Além disso, essas informações também sugeriam que estas vitaminas poderiam reduzir a chance da pessoa ter câncer. Câncer e doença cardíaca já são, há algum tempo, as principais causas de morte no mundo todo.
Esta hipótese das vitaminas prevenirem câncer e doenças cardíacas foi recente reanalisada por um grupo de especialistas americanos, que estudaram minuciosamente mais de trinta artigos científicos publicados nos últimos anos, e que abordavam a associação entre vitaminas, câncer e doenças cardíacas. Os resultados desta análise foram publicados na revista Annals of Internal Medicine e levaram à conclusão que as evidências científicas existentes são insuficientes para avaliar os potenciais benefícios e prejuízos do uso de vitaminas em geral na prevenção de câncer e doença cardíaca.
O estudo concluiu também que, para betacaroteno e vitamina E, existem evidências científicas suficientes indicando que a suplementação com estas vitaminas não produzem nenhum benefício para a prevenção de câncer e doenças cardíacas, e que, particularmente, o betacaroteno usado como suplemento pode aumentar o risco de câncer de pulmão em fumantes.
A partir destas conclusões foi formulada a recomendação para as pessoas não usarem suplementação de betacaroteno ou vitamina E a fim de diminuir suas chances de desenvolver câncer ou doença cardíaca. Além disso, é desfeita a noção de que vitaminas são inócuas ao organismo. Este mesmo grupo de cientistas alerta que são vários os efeitos adversos causados por doses excessivas de vitaminas.
As recomendações com evidências comprovadas para prevenção de doença cardíaca e câncer incluem parar de fumar, controle de desordens lipídicas, controle da obesidade e da hipertensão.
Fontes
-Annals of Internal Medicine - online 25 February 2014 doi:10.7326/M14-0198
-U.S. Preventive Services Task Force (USPSTF) recommendations on vitamin, mineral, and multivitamin supplementation to prevent cardiovascular disease and cancer. -Release Date: February 2014