sexta-feira, 5 de junho de 2015

Hospital da Unicamp realiza 1ª cirurgia com titânio impresso em 3D




Inédito no Brasil, o procedimento de reconstrução crânio-facial com placas de titânio impressas em 3D foi um sucesso em sua primeira experiência.

Foi no Hospital das Clínicas da Unicamp que Jéssica Cussioli, 23 anos, foi operada. Em setembro do ano passado, a jovem sofreu um acidente de moto. Ao tentar desviar de um buraco, ela bateu o rosto em uma caçamba e, mesmo com o capacete, sofreu traumatismo crânio-facial e um Acidente Vascular Cerebral (AVC), que resultaram no afundamento do crânio, perda da visão do olho direito e parcial dos movimentos do lado esquerdo do corpo.

Após o acidente, Jéssica passou uma cirurgia, onde sua chance de sobrevivência era de 2%. Após isso, sofreu mais três procedimentos até ser encaminhada para Campinas. A jovem foi a primeira pessoa no país a receber, simultaneamente, três placas de titânio para reconstrução crânio-facial em uma cirurgia realizada pelos cirurgiões Paulo Kharmandayan, Davi Calderoni, Herbeti Aguiar e Adriano Mesquita da cirurgia plástica e Enrico Ghizoni da neurocirurgia. Em matéria publicada no portal da Unicamp, Dr. Kharmandayan afirma que o sucesso se deve ao trabalho multiprofissional de engenheiros, médicos e físicos.

Cirurgia

A mãe de Jéssica realizou pesquisas sobre cirurgias que ajudassem a sua filha. Ao descobrir esta nova técnica, ainda em fase de pesquisa, ela entrou em contato com os responsáveis. “Ao relatar a história em um e-mail e links de notícias da cidade sobre o caso, solicitei uma tomografia e ao receber e discutir com o Kharmandayan apostamos no projeto para a prototipagem crânio-facial em 3D com titânio e aperfeiçoamento das técnicas”, conta o engenheiro mecânico André Jardini para o portal da Unicamp.

Jardini, que é pesquisador sênior do instituto BIOFABRIS, explicou que o equipamento para produção da placa de titânio é importado da Alemanha e custa cerca de R$ 3 milhões. O conceito de “biofabricação” consiste em utilizar técnicas de engenharia e biomateriais para a construção de estruturas tridimensionais, fabricação e confecção de substitutos biológicos que atuarão no tratamento, restauração e estruturação de órgãos e tecidos humanos.

Fonte: http://www.blogdasaude.com.br/saude-fisica/2015/06/03/hospital-da-unicamp-realiza-1a-cirugia-com-titanio-impresso-em-3d/

quarta-feira, 3 de junho de 2015

Campanha de vacinação contra a gripe acaba na sexta-feira




A meta do governo é vacinar 80% dos cerca de 49,7 milhões de brasileiros que compõem o público-alvo

A campanha de vacinação contra a gripe acaba nesta sexta-feira (5/06) em todo o país. O prazo inicial para o fim da campanha era 22 de maio, mas em razão da baixa adesão do público-alvo, o Ministério da Saúde prorrogou a data. A meta do governo é vacinar 80% dos cerca de 49,7 milhões de brasileiros que compõem o público-alvo. Dados do último balanço da pasta mostram que apenas 46,2% foram imunizados.

Devem receber a dose da vacina crianças com mais de 6 meses e menores de 5 anos, pessoas com mais de 60 anos, trabalhadores da saúde, povos indígenas, gestantes, puérperas (mulheres até 45 dias após o parto), presos e funcionários do sistema prisional.

Crianças que vão receber a vacina contra a gripe pela primeira vez devem ser imunizadas em duas etapas, com intervalo de 30 dias entre as doses. É importante levar o cartão de vacinação e um documento de identificação.

Também serão vacinadas pessoas com doenças crônicas não transmissíveis ou em condições clínicas especiais. Neste caso, é preciso levar uma prescrição médica especificando o motivo da indicação da dose.

Pacientes que participam de programas de controle de doenças crônicas no Sistema Único de Saúde (SUS) devem procurar os postos onde estão cadastrados para receber a dose, sem necessidade da prescrição médica.

Como o organismo leva, em média, de duas a três semanas para criar os anticorpos que geram proteção contra a gripe, a orientação é realizar a imunização no período da campanha para garantir a proteção antes do início do inverno.

A vacina é contraindicada a pessoas com história de reação anafilática em doses anteriores ou àquelas que tenham alergia grave relacionada a ovo de galinha e seus derivados.

A transmissão dos vírus Influenza ocorre por meio do contato com secreções das vias respiratórias, eliminadas pela pessoa contaminada ao falar, tossir ou espirrar. A doença também pode ser transmitida pelas mãos e por objetos contaminados.

Os sintomas da gripe incluem febre, tosse ou dor na garganta, além de dor de cabeça, dor muscular e nas articulações. O agravamento pode ser identificado por sintomas como falta de ar, febre por mais de três dias, piora de sintomas gastrointestinais, dor muscular intensa e prostração.

Fonte: http://sites.uai.com.br/app/noticia/saudeplena/noticias/2015/06/01/noticia_saudeplena,153589/campanha-de-vacinacao-contra-a-gripe-acaba-na-sexta-feira.shtml

terça-feira, 2 de junho de 2015

Infecção na infância e adolescência pode afetar a inteligência do adulto





O avanço da ciência tem aberto novos caminhos para o entendimento de como o organismo humano funciona em condições normais de equilíbrio e o que acontece quando este equilíbrio é rompido na doença.

A comprovação de existência de uma sofisticada interação entre o sistema imunológico e o cérebro é uma dessas novas perspectivas. Mesmo que sugerido já em meados dos anos 30 do século passado, a consolidação do conceito de ações bidirecionais entre sistema imunológico e o cérebro é relativamente recente.

Por exemplo, quando um agente agressor (bactéria ou vírus) é reconhecido pelo sistema imunológico, este desencadeia uma série de reações, culminando com a liberação de várias substâncias no sangue a fim de combater a ameaça. Algumas destas substâncias podem atuar no cérebro prejudicando suas funções. No sentido inverso, estímulos físicos ou psíquicos, mediados pelo sistema nervoso central, podem induzir a liberação de substâncias neurotransmissoras e hormônios que vão atuar sobre o sistema imune reduzindo sua capacidade de resposta.

Isto explica, pelo menos em parte, como um estresse pode desencadear uma doença infecciosa ou mesmo o câncer, ambos modulados pelo sistema imunológico.

A atividade mental é composta pela percepção, pelas ações planejadas e pelo pensamento e é originada da interconexão de circuitos complexos de células nervosas. Esta atividade mental determina nossa capacidade de adquirir conhecimento (cognição), o que caracteriza nossa inteligência. Este processo pode ser afetado pela resposta do sistema imune a um agente agressor em uma infecção. É o que demonstra um grupo de pesquisadores dinamarqueses em um estudo publicado recentemente na revista científica PLOS ONE.

Utilizando registros de saúde da Dinamarca foi desenvolvida uma pesquisa que investigou o efeito de diferentes tipos de infecção ocorridas do nascimento até o final da adolescência em uma amostra de mais de 190 mil indivíduos do sexo masculino nascidos entre 1976 e 1994. A história de infecção foi definida como "a pessoa tendo sido registrada com um diagnóstico de infecção" no sistema de registro hospitalar da Dinamarca.

As habilidades cognitivas foram medidas de 2006 a 2012 por um teste de inteligência convertido para uma escala de quociente de inteligência (QI) convencional. Os indivíduos tinham em torno de 19 anos quando se submeteram ao teste. Para detectar se possíveis efeitos independentes da infecção (como a educação dos pais, idade da mãe durante a gestação, o peso do indivíduo ao nascer, etc.) estavam afetando a cognição, foi empregado um modelo de ajustamento para outros fatores, evitando desta forma erros produzidos por fatores confundidores.

O estudo indica que infecções prévias foram significativamente associadas a uma redução da habilidade cognitiva. O efeito foi maior quanto mais recente e mais severa foi a infecção. Uma das explicações sugeridas para estes resultados é que a resposta imunológica ao agente agressor tenha causado algum tipo de dano ao cérebro, o que causou a redução da habilidade cognitiva. Este efeito pode ser transitório.

Esta pesquisa, além de propiciar um maior entendimento dos mecanismos de interação entre sistema imune e cérebro, serve de alerta no sentido de ter-se uma maior atenção no acompanhamento do desenvolvimento cognitivo dos indivíduos que tiveram algum tipo de infecção na infância/adolescência, principalmente as severas.
Autor: Equipe ABC da Saúde

Referência Bibliográfica

·         -PLOS ONE - May 13, 2015 - DOI: 10.1371/journal.pone.0124005