quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Obesidade e sobrepeso estão associados à perda de cognição em adultos acima de 60 anos

A saúde do cérebro pode ser diretamente afetada pela obesidade ou sobrepeso
É o que demonstraram pesquisadores australianos no Congresso Anual da Sociedade Americana de Neurociências realizado na segunda semana de novembro na capital dos Estados Unidos. No trabalho apresentado eles comprovam que o sobrepeso e a obesidade estão associados a uma atrofia do hipocampo - uma área do cérebro que desempenha um papel fundamental no desenvolvimento e manutenção da memória - sendo sua redução um dos principais responsáveis pelo declínio cognitivo e perda da memória em idosos.
A pesquisa consistiu do acompanhamento, por oito anos, de 420 adultos saudáveis, com idades de 60 a 64 anos e com cognição e memória preservadas. Os participantes tiveram medidos no início do estudo, no 4° e no 8° ano de seguimento, o seu índice de massa corporal (IMC) - que é um marcador do estado adiposo do indivíduo. É considerado normal o índice IMC até 25 kg/m², de 25 a 30 kg/m² é considerado como sobrepeso e acima de 30 kg/m² é considerado como obesidade. Junto com a avaliação do IMC foi realizado também um exame de imagem cerebral onde foi medido o volume do hipocampo.
Os resultados revelaram que os participantes com maior IMC apresentaram hipocampos menores. Adicionalmente, maior atrofia foi observada nos indivíduos que já tinham IMC mais elevado no início do estudo. Cada dois pontos de aumento do IMC correspondeu a uma redução de 7,2% no volume do hipocampo esquerdo. Este efeito tem maior dimensão em pessoas idosas, pois estas já são predispostas a uma atrofia cerebral natural resultante do envelhecimento.
Estes achados sugerem que a obesidade e o sobrepeso participam de forma decisiva nas mudanças de estruturas cerebrais associadas ao declínio cognitivo e à demência. Mesmo que nesta pesquisa não tenham sido avaliadas as funções cognitivas, outros estudos neste campo de pesquisa têm mostrado que uma maior atrofia no hipocampo é ligada a um maior risco de declínio cognitivo e demência.
Um mecanismo especulado para explicar este efeito da obesidade e sobrepeso sobre o hipocampo é a inflamação crônica provocada pelo aumento do tecido adiposo.
A manutenção de um peso ideal seria uma forma de ajudar a prevenir, pelo menos em parte, as alterações de memória e cognição no idoso.
Autor: Equipe ABC da Saúde
Referência Bibliográfica
  • -Society for Neuroscience 2014 Annual Meeting. Abstract 19.04. November 15, 2014

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Telefone celular e atividade física

Um dos principais elementos do estilo de vida que tem impacto sobre a saúde é a atividade física. Na história da nossa civilização a maior parte das atividades cotidianas demandava grande esforço. Com o progresso tecnológico mais recente o esforço humano foi sendo substituído por máquinas e equipamentos e, portanto, novos hábitos foram sendo criados.
Muitos desses novos hábitos decorrentes do desenvolvimento, como assistir TV, usar a internet por tempos prolongados e jogar vídeo games, implicam redução da atividade física e são classificados como comportamentos sedentários. Mais recentemente, os telefones celulares integraram estas funções em um só aparelho. Porém, sua concepção para uso móvel não incluiria o seu uso nos comportamentos sedentários. Sua inerente portabilidade permite que várias de suas funções sejam desenvolvidas, tanto na inatividade física quanto durante uma atividade, mesmo que moderada ou intensa, como uma caminhada rápida.
Apesar destes pressupostos até agora a relação entre uso de celular e comportamentos sedentários ainda não havia sido testada.
Nesta última semana (Julho de 2013), um estudo publicado na revista International Journal of Behavioral Nutrition and Physical Activity apresenta uma pesquisa que avaliou em uma amostra de estudantes americanos a relação entre frequência de utilização dos telefones celulares e parâmetros relacionados com a atividade física, entre eles a aptidão física avaliada por corrida em esteira.
Os resultados, apesar de não serem surpreendentes, não deixam de ser preocupantes. Os participantes que faziam maior uso do celular apresentaram comportamento sedentário, com menores índices de aptidão cardio-respiratória e maior percentagem de gordura. Esses fatores aumentam o risco para várias doenças.
Mesmo sendo um aparelho portátil, o tempo de uso diário observado é muito grande. Os participantes gastam, em média, cinco horas por dia em seus celulares, utilizando suas múltiplas funções. A média de mensagens enviadas por participante/dia chega perto de duas centenas. Provavelmente este tempo, com a atenção voltada para compor, enviar e receber mensagens, conversar, jogar, assistir vídeos, se inteirar das últimas notícias, etc., iniba o desenvolvimento de atividades físicas corriqueiras e o engajamento em atividades esportivas. Por outro lado, como este tipo de estudo não permite que se estabeleça uma relação de causa-efeito, não se pode descartar a possibilidade de que os menos adeptos das atividades físicas naturalmente vão usar mais o celular.
Os comportamentos sedentários considerados fixos já ocupam grande parte do dia (e parte da noite) das pessoas, principalmente dos jovens, e sua influência vai além da atividade física, afetando também outras funções vitais como o tempo de sono e o padrão alimentar. O acréscimo de um novo comportamento sedentário em potencial, como o uso demasiado do telefone celular, deve ser considerado nas avaliações do impacto da hiper-conexão sobre fatores que podem prejudicar a saúde.
Autor: Equipe ABC da Saúde
Referência Bibliográfica
  • - International Journal of Behavioral Nutrition and Physical Activity 2013, 10:79 pag. 2-9
  • - http://www.ijbnpa.org/content/10/1/79

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Ômega-3 contido em peixes e suplementos pode aumentar o risco de câncer de próstata.

Alguns peixes como salmão, truta e atum contém grande quantidade de tipos de gorduras poli-insaturadas conhecidas como ômega-3. Estas substâncias apresentam propriedades anti-inflamatórias e a sua ingestão, tanto na forma natural nos peixes, quanto como na forma de suplemento em cápsulas, já é, a algum tempo, recomendada para prevenção de várias doenças, incluindo diabete, doença cardíaca e derrame (acidente vascular cerebral – AVC).
Esta reputação do Omega-3 de produzir benefícios à saúde está, no entanto, sendo questionada a partir de resultados de um novo estudo cientifico publicado online no último dia 10 de julho na revista médica Journal of the National Cancer Institute. Os pesquisadores demonstraram que ingerir grande quantidade de ômega-3, o que leva a um aumento da sua concentração no sangue, está associado a um aumento do risco dos homens desenvolverem câncer de próstata, e também a uma maior agressividade destes cânceres.
Os números são realmente contundentes. Os homens com as maiores concentrações de ômega-3 no sangue apresentaram um risco 43% maior de desenvolver câncer de próstata de qualquer tipo, quando comparados aos homens com as menores concentrações. Quando foram avaliados somente os tumores de próstata mais agressivos, o risco foi 71% maior nos homens com maior concentração sanguínea de ômega-3.
Este tipo de estudo não permite que seja estabelecida uma relação causa-efeito. Ou seja, não podemos afirmar, baseados nestes resultados, que o aumento do risco de câncer de próstata é causado pelo aumento das concentrações de ômega-3 no sangue. Existe somente uma associação entre estes dois fatos. Conclusões definitivas devem ser evitadas e estes dados devem servir como importantes levantadores de novas hipóteses para estudos futuros.
Por sua vez, a partir destes resultados, a indicação formal para a ingestão de grandes quantidades de óleo de peixe deve ser colocada sob certa cautela, principalmente em homens.
Autor: Equipe ABC da Saúde
Referência Bibliográfica
  • - Fonte: Journal of the National Cancer Institute - doi: 10.1093/jnci/djt174.

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Como uma pessoa calma repentinamente pode se tornar agressiva e violenta

Não é incomum a situação em que pessoas tidas como tranquilas e gentis podem ficar subitamente agressivas e violentas quando alguém com quem elas tenham uma grande ligação afetiva (empatia) esteja sob algum tipo de ameaça. Este comportamento, que já é bem demonstrado em diversas espécies animais, tem ainda pouco entendimento em seres humanos.
Lançando uma luz sobre esta questão, foi publicada recentemente uma pesquisa na revista científica Personality and Social Psychology Bulletin. A pesquisa examina alguns fatores biológicos que podem explicar como uma ameaça grave a alguém que sejamos próximos pode desencadear um comportamento agressivo, remetendo a pessoa a um estado primitivo.
No trabalho científico é relatado um caso típico, ocorrido nos Estados Unidos em 2012, em que um pai que não era agressivo, ouvindo o choro de sua filha de 5 anos, percebeu que ela estava sofrendo um ataque sexual por um homem. Em poucos segundos o pai matou o agressor a pancadas. Imediatamente ele se deu conta da sua reação extrema e ligou chorando para o serviço de emergência, tentando salvar a vida do agressor da filha de todas as maneiras. Posteriormente o pai foi julgado e considerado inocente pois foi levado em conta pelos promotores que ele não queria matar o agressor de sua filha, se sentia culpado, com remorso e arrependido e fez de tudo para salvar o agressor. Ele perdeu a cabeça por segundos e foi tomado de uma fúria incontrolável ao ver uma pessoa querida ser ameaçada de forma grave.
As bases biológicas para este tipo de comportamento se fundamentam em estudos que descrevem a presença de um "sistema de comportamento cuidador" no cérebro, com características pró-sociais. Dois neurohormônios estariam envolvidos na mediação dos efeitos deste sistema, ocitocina e vasopressina.
Na pesquisa foram realizados experimentos com indivíduos submetidos a situações de ameaça a pessoas as quais tinham grande empatia. As variações nos receptores de ocitocina e vasopressina foram avaliadas e os resultados mostraram uma associação entre variantes dos gens dos receptores de ocitocina e vasopressina e o grau de agressividade apresentado pelo indivíduo, evidenciando o papel destes hormônios no fenômeno da agressão ligada à empatia.
A hipótese levantada pela pesquisa é a de que, em humanos, o sistema de comportamento cuidador estaria associado à agressividade em situações de ameaça a pessoas afetivamente próximas, e este comportamento seria mediado pela ocitocina e vasopressina.
Autor: Equipe ABC da Saúde
Referência Bibliográfica
  • -Personality and Social Psychology Bulletin 2014 40: 1406 - DOI:10.1177/0146167214549320.

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Sensação de bem-estar e saúde

Quem não conhece alguém que tenha passado por alguma situação crítica na vida e um tempo depois ficou doente. Esta relação entre situações negativas e saúde/doença já é empiricamente estabelecida.
Por sua vez, o bem-estar psicológico está relacionado com a saúde física e a longevidade. Apesar desta associação ser conhecida já há alguns anos por meio de pesquisas epidemiológicas de observação, pouco se sabia sobre os mecanismos envolvidos que levam uma sensação de bem-estar produzir efeitos benéficos à saúde.
Alguns destes mecanismos começam agora a ser esclarecidos. Resultados de uma pesquisa publicada online no último dia 29 de julho, na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences, demonstram que o bem-estar psicológico afeta genes em células do sistema imune que regulam processos inflamatórios e de síntese de anticorpos. Processos estes fundamentais para o controle das defesas do organismo contra agentes agressores (vírus e bactérias por exemplo).
Estudos prévios já tinham demonstrado que condições adversas crônicas (como estresse e insegurança quanto ao futuro) afetam negativamente estes genes. Neste novo trabalho o efeito do bem-estar psicológico sobre estes genes foi testado em 84 indivíduos saudáveis com idades de 35 a 64 anos. Mais do que isso, os pesquisadores dividiram os indivíduos em dois grupos, fazendo distinção entre dois tipos de bem-estar de origens diferentes e que foram classificados como hedônico ou eudaimônico. A avaliação foi feita por meio de respostas a questionários validados.
Estas palavras pouco conhecidas significam o seguinte: - Hedonismo é o bem estar produzido pelo prazer - termo originado de uma corrente filosófica grega que postulava ser a conquista do prazer o maior bem a ser alcançado pelo ser humano. Representa as experiências afetivas positivas produzidas pelo prazer individual. Eudaimonismo é o bem estar produzido pela realização de atos éticos e benevolentes - termo também oriundo da filosofia grega que postulava que o verdadeiro bem-estar provinha da prática de atos com um sentido mais profundo e com propósitos nobres, que vão além da simples gratificação pessoal.
Esta explicação toda não teria tanta importância se os resultados não tivessem sido tão surpreendentes. Ambos os grupos apresentaram altos níveis de sensação de emoções positivas, inversamente relacionadas com sintomas de depressão. Porém, os efeitos sobre os genes foram opostos. Os indivíduos com bem-estar eudaimônico (atos éticos e benevolentes) tiveram um perfil de regulação gênica que favorece as defesas do organismo, enquanto os do grupo hedônico (bem-estar por gratificação pessoal) apresentaram um aumento na expressão de genes pró-inflamatórios e redução nos reguladores da síntese de anticorpos, perfil este que é prejudicial às defesas do organismo.
Estes resultados são importantes na medida em que apresentam mecanismos moleculares objetivos sendo influenciados por sensações psicológicas subjetivas. No entanto, deve ser levado em conta que não existem seres humanos exclusivamente hedônicos ou exclusivamente eudaimônicos. Além disso, há uma interação entre estes padrões, com uma influência recíproca. O que pode haver é uma predominância de um padrão sobre outro, com consequências moleculares que podem afetar a saúde.
Disto tudo fica a sensação de que, à medida que o conhecimento científico avança, mais se percebe a complexidade da natureza e que as interações entre o meio e o indivíduo são mais profundas do que se poderia imaginar.
Autor: Equipe ABC da Saúde
Referência Bibliográfica
  • - www.pnas.org/cgi/doi/10.1073/pnas.1305419110 - PNAS Early Edition | 1 of 6

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Incenso e doença

É prática muito comum em vários países do mundo a queima de incenso no interior das residências, assim como em locais de trabalho e locais públicos.
A poluição em locais fechados é um motivo de preocupação devido ao seu maior efeito produzido pela concentração dos poluentes na ausência de ventilação. A poluição do ar em locais fechados produzida pelo cigarro já está bem caracterizada e o fumo passivo (inalação da fumaça de cigarro por não fumantes) é considerado um problema de saúde pública que, segundo a Organização Mundial da Saúde, atinge cerca de dois bilhões de pessoas. Estas pessoas apresentam um risco muito aumentado de desenvolver várias doenças como câncer de pulmão ou de cabeça e pescoço, doença cardiovascular, infarto, AVC (acidente vascular cerebral) e enfisema pulmonar, dentre outras.
Já existem alguns estudos indicando que a queima de incenso também pode ser uma fonte de poluição importante e causar problemas de saúde. Recentemente, uma pesquisa publicada na edição de agosto da revista científica Science of the Total Environment confirma os prognósticos mais sombrios.
Neste estudo os pesquisadores utilizaram dois tipos de incenso oriundos dos Emirados Árabes e os queimaram em um local fechado, emitindo uma concentração de fumaça similar à observada em uma sala de estar típica nas residências deste país. Foi analisado o tipo e a quantidade de gases contidos na fumaça. Foram encontrados altos índices de monóxido de carbono, formaldeído e óxidos de nitrogênio.
Prosseguindo o estudo, os investigadores expuseram células pulmonares humanas a este ambiente. As células apresentaram uma resposta inflamatória, característica da asma e de outras doenças respiratórias, resposta esta muito similar à encontrada quando células pulmonares são expostas à fumaça de cigarro.
O conjunto dos resultados desta pesquisa indica que a queima de incenso em ambientes fechados produz riscos à saúde. Os pesquisadores recomendam que o ambiente onde ocorra a queima do incenso seja muito bem ventilado, com a abertura de portas e janelas e salientam também que alternativas na composição do incenso, como a redução da quantidade de carvão, podem diminuir bastante a emissão de poluentes.
Como este hábito cultural se difundiu para vários países e que estimativas da Organização Mundial da Saúde indicam que mais de um milhão de pessoas por ano morrem de doença respiratória no mundo (a maior parte devido à poluição em ambientes fechados), o controle dos fatores que potencialmente aumentam o risco destas doenças deve ser considerado.
Autor: Equipe ABC da Saúde
Referência Bibliográfica
  • - Science of the Total Environment 458-460 (2013) 176-186.

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Diabetes: Alimentação saudável é tema da campanha de prevenção

Dados do Ministério da Saúde apontam que cerca de 14 milhões de pessoas convivem com diabetes no Brasil. Diariamente, são registrados pelo menos 500 novos casos da doença no país.

O diabetes é um distúrbio causado pela falta de uma substância no organismo, a insulina. Ele também pode resultar da incapacidade da insulina exercer seus efeitos, fazendo com que o organismo não consiga obter a energia dos alimentos de forma adequada e aumentando os níveis de glicose (açúcar) no sangue.

O diabetes tipo 2 é responsável por mais de 90% dos casos da doença e o único tipo de diabetes que pode ser evitado. Os problemas cardiovasculares, como infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral, são as maiores causas de mortalidade no diabético, o que pode ser evitado com a prevenção da doença.

O diabetes pode ser uma doença silenciosa devido à ausência ou não percepção de seus sintomas, daí a importância dos exames regulares para o controle da glicose. Além disso, é possível preveni-lo com a adoção de hábitos saudáveis como a prática de atividades físicas e uma alimentação equilibrada.

A alimentação saudável, inclusive, foi o tema escolhido para a campanha anual que destaca o Dia Mundial do Diabetes. No dia 14 de novembro, em todo mundo, diversos monumentos serão iluminados de azul, chamando a atenção para a prevenção da doença.

Fonte: Press release, novembro de 2014. Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD ).