quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Medicação + Suplementos: a combinação que pode ser perigosa

Os suplementos nutricionais e vitamínicos têm apresentado um consumo crescente em vários países devido à sua grande publicidade sobre supostos benefícios à saúde.
A agência governamental que regula os medicamentos nos Estados Unidos (Food and Drug Administration - FDA) lançou recentemente um alerta sobre o uso combinado de suplementos e medicação.
Na classificação de suplementos dietéticos estão incluídos, além das vitaminas e minerais, outras substâncias como herbais, amino-ácidos, fitoterápicos, enzimas e extratos animais. Geralmente estes compostos não necessitam, para entrar no mercado, de pré-aprovação da FDA quanto à sua segurança e efetividade. Mesmo que alguns desses suplementos sejam mais conhecidos e com uso estabelecido há mais tempo, a maior parte necessita de estudos mais profundos para o entendimento do seu funcionamento e eficácia. Além disso, muitas vezes é confuso o discernimento entre o que é um alimento, um suplemento ou um medicamento sem receita.
Neste informativo o FDA alerta que tomar vitaminas e outros suplementos juntamente com medicação pode ser perigoso. Alguns suplementos podem aumentar o efeito da medicação e outros podem diminuir esse efeito. Isso ocorre porque certos suplementos podem alterar a absorção, a metabolização ou a excreção do medicamento, alterando desta forma a sua potência e eficácia.
Por exemplo, remédios para AIDS, para depressão, para o coração e mesmo pílulas anticoncepcionais, podem ter a sua eficácia reduzida se a pessoa faz uso da Erva-de-São-João, também conhecida como Hipericão. Dependendo da medicação envolvida, o resultado negativo pode ser sério. E, como esta, várias outras interações podem ocorrer entre medicamentos e suplementos.
A recomendação para evitar problemas de saúde, que podem atingir níveis graves, é consultar o médico para esclarecer os possíveis problemas com a ingestão de suplementos junto com remédios.
Autor: Equipe ABC da Saúde
Referência Bibliográfica
  • -FDA Consumer Health Information / U.S. Food and Drug Administration OCTOBER 2014.

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Novos estudos confirmam: - Sal demais faz mal à saúde. A novidade: - Sal a menos também. E não esqueça do Potássio!

Uma nova polêmica surge no horizonte científico das pesquisas médicas. Em três diferentes trabalhos científicos publicados recentemente na revista The New England Journal of Medicine, é exposto um conjunto de resultados que relacionam o consumo global de sódio e a ingestão e excreção urinária de sódio e potássio (que servem de estimativa de sua ingestão) com o risco de doença cardíaca e morte.
Já está bem estabelecido por estudos prévios que um aumento do consumo de sódio está associado com o aumento da pressão arterial, um dos principais fatores de risco para doença cardíaca. Estima-se que um bilhão de pessoas no mundo tenham hipertensão e que ela é responsável por 9 milhões de mortes por ano. Entretanto, os efeitos da ingestão de sódio sobre a mortalidade por doença cardiovascular, em termos globais, não eram conhecidos.
Em um dos trabalhos foi quantificada a ingestão global de sódio baseada em levantamentos de 66 países e, compilando os resultados de 107 pesquisas já publicadas por meio de uma ferramenta estatística chamada de meta-análise, foi estimado o efeito da ingestão de sódio sobre a pressão arterial e o efeito da pressão arterial sobre mortalidade cardiovascular. Os resultados apresentam uma robusta relação linear entre o consumo de sódio e eventos cardiovasculares (quanto maior a ingestão de sal maior é o risco de doença cardiovascular) e se estima que mais de um milhão e seiscentas mil mortes por doença cardiovascular em todo o mundo, no ano de 2010, podem ser atribuídas ao excesso do consumo de sódio.
As recomendações para prevenção de doenças cardíacas das principais sociedades de cardiologia pelo mundo estabelecem que a ingestão máxima de sódio não ultrapasse de 1,5 a 2,4 gramas por dia (o valor de referência é 2 g de sódio/dia). Estes valores representam em torno de 4 a 6 g de sal (o sódio corresponde a 40% do peso total do sal de cozinha e uma colher de chá contém próximo de 6 g de sal de cozinha, dos quais 2,4 g são de sódio).
Os outros dois trabalhos compõem um grande estudo que avaliou o consumo de sódio e potássio pela análise da excreção urinária diária destes eletrólitos em mais de 100 mil pessoas de 17 países. Este consumo foi relacionado com hipertensão arterial e o risco de morte por doença cardíaca.
Os resultados do efeito do sal sobre a pressão são claros em demonstrar que quanto maior o consumo de sal, maior é a pressão arterial. Os que já têm pressão alta e os mais velhos são mais sensíveis ao efeito do sal sobre a pressão. No que tange ao efeito do sal sobre mortalidade, também os hipertensos que ingerem mais sal apresentam maior risco. Nas pessoas de pressão normal, os que têm uma excreção de sódio maior, que corresponde a uma ingestão acima que 4 g/dia têm um risco de morte proporcionalmente maior.
E, para surpresa de muitos, as pessoas com uma excreção urinária que corresponde a uma ingestão de menos de 2 g de sódio por dia, também têm um maior risco de morte. Aparentemente existe uma janela de ingestão de sódio de 2 a 4 g/dia em que os riscos de morte são menores. Consumos tanto acima quanto abaixo destes valores aumentariam o risco.
O potássio, por sua vez, apresentou uma relação inversa entre excreção urinária e pressão arterial, assim como com risco de morte cardiovascular. Isto reforça uma postulação preconizada a algum tempo, que a relação entre as concentrações de sódio e potássio no organismo talvez seja mais importante que os seus valores individuais.
Os resultados deste estudo revelam outro dado interessante. Somente 10% dos participantes apresentaram uma excreção diária de sódio correspondente à ingestão diária preconizada, de 2 g/dia. Isto indica que parece ser muito difícil atingir os valores recomendados de ingestão diária de sódio, a despeito dos alertas e campanhas que são feitas neste sentido. Provavelmente isto se deve ao fato que em torno de 80% do sal que ingerimos diariamente provir de alimentos industrializados e não do nosso saleiro doméstico.
Muito bem, isto quer dizer que eu posso comer sal à vontade? Definitivamente não! Está muito claro, e confirmado por estes estudos, que a ingestão acima de certas quantidades é altamente prejudicial à saúde. Por outro lado, dietas altamente restritivas ao sal também podem ser prejudiciais. Principalmente se acompanhadas de uma baixa ingestão de potássio.
Reduzir a ingestão de alimentos industrializados ao mínimo e aumentar a ingestão de frutas, legumes e vegetais, compõe uma fórmula segura de manter um equilíbrio saudável entre sódio e potássio no organismo.
Autor: Equipe ABC da Saúde
Referência Bibliográfica
  • -The New England Journal of Medicine 2014;371:601-11.DOI: 10.1056/NEJMoa1311989;
  • -The New England Journal of Medicine 2014;371:612-23.DOI: 10.1056/NEJMoa1311889;
  • -The New England Journal of Medicine 2014;371:624-34.DOI: 10.1056/NEJMoa1304127;

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Confirmado que a amamentação reduz o risco de obesidade em crianças

O fato de que o aleitamento materno traz uma série de benefícios à saúde, tanto para a mãe quanto para o bebê, já é bem conhecido e é embasado em uma grande quantidade de evidências científicas.
Um novo fator é agora agregado a este contingente de benefícios. Uma pesquisa realizada no Japão e publicada online na revida JAMA Pediatrics do último dia 12 de agosto, demonstra que crianças que foram amamentadas apresentaram menor risco de desenvolverem obesidade na infância.
Apesar de que já a algum tempo seja sugerido que a amamentação proteja crianças contra a obesidade, alguns estudos não encontraram esta associação. As evidências permaneciam inconclusivas devido a muitos estudos não considerarem fatores associados, tanto da mãe (nível de educação, fumo e condição de trabalho) como da criança (sexo, tempo de televisão e computador). Estes fatores são tecnicamente chamados fatores confundidores. Neste novo estudo foram considerados estes fatores e ajustados de forma a que eles não teriam influência sobre os resultados.
Foram analisados dados de alimentação na infância de mais de 43.000 crianças com idade entre 7 e 8 anos e que foram acompanhadas desde os seis meses de idade. Os resultados mostram que mesmo quando considerados os potenciais fatores confundidores, a amamentação exclusiva por 6 a 7 meses reduziu em 45% o risco da criança estar obesa aos 8 anos de idade.
Os resultados desta pesquisa se somam a inúmeros outros que indicam que a amamentação traz vários benefícios para a saúde da mãe e da criança a curto, médio e longo prazo. Isto deve servir como um incentivo para que a amamentação exclusiva nos primeiros meses de idade do bebe seja estimulada.
Autor: Equipe ABC da Saúde
Referência Bibliográfica
  • - JAMA Pediatr. doi:10.1001/jamapediatrics.2013.2230

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Novidades sobre a dieta do mediterrâneo

O padrão alimentar denominado de dieta do mediterrâneo tem sido um assunto recorrente na literatura científica e leiga dos últimos anos. Isso se deve à grande quantidade de pesquisas que estão sendo desenvolvidas e que analisam os efeitos deste padrão alimentar sobre diferentes aspectos da saúde e bem-estar das pessoas.
A dieta do mediterrâneo é caracterizada pelo uso do óleo de oliva como principal gordura da alimentação associado a um alto consumo de frutas, nozes, vegetais, leguminosas e cereais integrais. Inclui ainda um consumo moderado de peixes e frutos do mar e um baixo consumo de carne vermelha e derivados do leite.
Pesquisas prévias demonstram que a dieta do mediterrâneo têm efeitos positivos sobre a saúde, diminuindo a formação de placas de aterosclerose nas carótidas, melhorando a função cognitiva, reduzindo eventos cardiovasculares e o desenvolvimento de diabete tipo II.
Novos resultados publicados online recentemente na revista científica Diabetes Care acrescentam um novo efeito positivo da dieta do mediterrâneo. A aderência à dieta produziu uma redução nas concentrações de lipídeos e glicose no sangue em pacientes que possuem um risco genético de desenvolver diabete tipo II e doenças cardiovasculares, incluindo acidente vascular cerebral (AVC, derrame cerebral). Pessoas com uma variação genética chamada de Polimorfismo do fator de transcrição 7 (TCF7L2) são mais suscetíveis a estas doenças e se beneficiariam com a dieta do mediterrâneo.
O estudo analisou mais de 8000 pessoas identificando as que possuíam a variação genética (14% eram homozigotos – ou seja, carregavam as duas cópias da variante). Estas pessoas foram divididas em dois grupos em que um recebia a dieta do mediterrâneo e o outro grupo, chamado de controle, que recebia dieta com baixo teor de gordura. Os indivíduos foram acompanhados por quase cinco anos.
Talvez o aspecto mais promissor deste trabalho resida na possibilidade de uma suscetibilidade genética a um maior risco de doença (tido como um fator não modificável), poder ser minimizada por um fator modificável simples como a dieta, caracterizando uma significante interação dieta-genes.
Autor: Equipe ABC da Saúde
Referência Bibliográfica
  • - Fonte: - Diabetes Care August 13, 2013 - doi:10.2337/dc13-0955

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Fumo na gravidez – efeitos a longo prazo nos filhos

São bem conhecidos os efeitos nocivos produzidos pelo fumo durante a gravidez. A exposição à nicotina no período pré-natal altera o desenvolvimento cerebral, induz parto prematuro, produz bebês de baixo peso e, muitas vezes, pode levar à perda do feto. Os bebês que foram expostos à nicotina na vida intrauterina apresentam, também, uma maior probabilidade de serem viciados em cigarro quando ficam adultos.
Para tentar esclarecer os mecanismos pelos quais a exposição do feto à nicotina produz alterações de longo prazo, um grupo de pesquisadores de Nova York desenvolveu um estudo em que foram administradas pequenas doses de nicotina a ratas prenhas, o correspondente a uma mulher grávida fumar um cigarro por dia. Os resultados foram publicados na edição de 21 de agosto da revista científica The Journal of Neuroscience.
Os cérebros dos filhotes foram analisados e constatou-se um aumento do número de células nervosas em determinadas regiões do cérebro. Estas células são responsáveis pela produção de substâncias conhecidas como orexigenas (aumentam o apetite). Estes filhotes, quando adolescentes, apresentam uma alteração de comportamento caracterizada por um aumento de consumo de substâncias que produzem a sensação de recompensa.
A avaliação foi feita pela oferta aos adolescentes de soluções de nicotina, de álcool e de alimentos ricos em gordura, além da água pura e da ração normal. Os ratos que foram expostos à nicotina na gravidez da mãe apresentaram um consumo aumentado dos três componentes (nicotina, álcool e gordura), quando comparados aos animais em que a mãe não recebeu nicotina. Curioso que não houve aumento de consumo de água ou ração padrão, indicando que o efeito é especifico sobre substâncias que produzem sensação de recompensa e levam à adição.
Os resultados deste estudo demonstram que a exposição pré-natal a baixas doses de nicotina produz efeitos tardios na prole que levam a comportamentos que podem levar a adição a drogas e obesidade.
Para as futuras mães esta é mais uma forte evidência para não fumar (ou se expor à nicotina com substitutos do cigarro), pois, além de por em risco a sua gravidez, de comprometer o bebê, poderá estar definindo, talvez de forma irreversível, o futuro adulto de seu filho.
Autor: Equipe ABC da Saúde
Referência Bibliográfica
- The Journal of Neuroscience, August 21, 2013 • 33(34):13600 –13611.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Dieta do Mediterrâneo reduz declínio mental da idade

A dieta do mediterrâneo consiste de um padrão alimentar que inclui uma ingestão de alimentos diversificada, com o predomínio de frutas, nozes, azeite de oliva, cereais e vegetais em quantidades apreciáveis, associada com um baixo consumo de carnes vermelhas e moderado consumo de peixes, vinho tinto e derivados do leite (na forma de iogurte e queijos).
Muitos estudos já demonstraram os vários benefícios que a dieta do mediterrâneo traz à saúde, entre eles a diminuição do risco de doenças relacionadas com a idade, como doenças cardiovasculares (infarto, insuficiência cardíaca, hipertensão), acidente vascular cerebral (derrame) e diabete tipo II, tendo alguns destes estudos, de forma isolada, sugerido um efeito positivo sobre doenças cerebrais relacionadas com a idade, como a demência.
Um novo estudo de revisão sistemática que compilou e analisou em conjunto os dados de 12 pesquisas publicadas sobre o tema confirma de forma cientificamente mais robusta que uma maior aderência à dieta do mediterrâneo pode trazer benefícios para o cérebro, reduzindo o declínio cognitivo e o risco de demência, frequentes na idade avançada. O trabalho foi realizado por um grupo de pesquisadores britânicos e publicado na última semana na revista cientifica Epidemiology.
Os efeitos positivos da dieta do mediterrâneo sobre o cérebro podem ocorrer por meio de múltiplos mecanismos biológicos. A própria redução dos riscos cardiovasculares, diabete e doenças metabólicas, como dislipidemias, podem contribuir para uma redução do declínio cognitivo da idade e o desenvolvimento de demências. Além disso, os alimentos da dieta do mediterrâneo são ricos em antioxidantes, que são compostos químicos que reduzem o estresse celular produzido pelas oxidações biológicas, o que protegeria as células nervosas do dano provocado pela idade.
Apesar destas conclusões animadoras, os cientistas ressaltam a necessidade de novos estudos para confirmar os achados e esclarecer os mecanismos de ação.
Enquanto isso carregue no azeite de oliva! E se bater aquela fomezinha, três ou quatro nozes (de qualquer tipo) é a pedida, porém, cuidado que ambos são bastante calóricos. Frutas e legumes, coma sempre, todos os dias, em todas as refeições.
Autor: Equipe ABC da Saúde
Referência Bibliográfica
  • - Epidemiology 2013;24: 479–489..

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Sobrepeso e obesidade na adolescência aumentam o risco de hipertensão na idade adulta

O excesso de peso na infância e na adolescência aumenta o risco de hipertensão (pressão alta) na idade adulta. Crianças e adolescentes com sobrepeso (índice de massa de 25 a 30) duplicam o risco de ter pressão alta quando adultos. Já crianças e adolescentes obesas (índice de massa de 30 a 35) quadriplicam o risco de ter pressão alta quando adultos. O índice de massa é a relação entre peso e altura.
A hipertensão é uma doença que normalmente não apresenta sintomas, e quando não tratada pode causar sérios danos à saúde, como ataque cardíaco, aterosclerose, insuficiência cardíaca, acidente vascular cerebral (derrame), perda de visão, doença renal, problemas de ereção, perda de memória, entre outros. O monitoramento da pressão é um aspecto importante para a prevenção do seu desenvolvimento.
A obesidade em adultos é um fator de risco conhecido para o desenvolvimento da hipertensão. Um novo estudo, apresentado na Sessão Científica de Pesquisa em Hipertensão da Associação Americana do Coração no último dia 12 de setembro, mostra que a obesidade e o sobrepeso na infância e adolescência predispõem a pessoa a ter hipertensão quando adulta. A pesquisa acompanhou 1117 adolescentes por 27 anos, desde 1986. Destes, 68% tinham peso normal na infância, 16% tinham sobrepeso e 16% eram obesos. Avaliados quando adultos, 6% dos que tinham peso normal na infância ficaram hipertensos, dos que tinham sobrepeso foram 14%, e dos que eram obesos 26% ficaram hipertensos.
Os autores da pesquisa salientam que este conjunto de resultados indicam que a doença cardíaca pode começar na infância. Muita atenção já têm sido dada às crianças obesas (índice de massa de 30 a 35), entretanto este estudo aponta para os perigos do sobrepeso (índice de massa de 25 a 30), que duplica o risco de hipertensão.
O sobrepeso e obesidade têm tido um crescimento entre crianças e adolescentes, crescimento este em grande parte atribuído à brusca mudança ocorrida no estilo de vida, principalmente ao sedentarismo e ao padrão alimentar.
A observação e acompanhamento mais rigorosos do peso das crianças e adolescentes passa ser um fator importantíssimo para a saúde atual e futura destes indivíduos.
Autor: Equipe ABC da Saúde
Referência Bibliográfica
  • - American Heart Association Meeting Report, September 12, 2013.