segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Consequências de dormir tarde na adolescência

Parece que estamos cada vez dormindo mais tarde. Os apelos eletrônicos e sociais têm contribuído para uma alteração nos padrões de sono de uma população mundial cada vez mais cosmopolita. Esta alteração se mostra mais pronunciada na adolescência, onde as alterações hormonais e os conflitos emocionais são abundantes.
Estimativas nos Estados Unidos apontam que de 45% a 85% dos estudantes da sexta série do ensino fundamental ao terceiro ano do ensino médio relatam dormir menos do que o recomendado e 44% deles referem dificuldade de se manter alerta durante as aulas. Evidências indicam que o sono é um importante fator de suporte para uma adequada função cognitiva e emocional. Em jovens, maior tempo e qualidade de sono são associados a um melhor desempenho escolar e menos distúrbios emocionais.
Com o objetivo de esclarecer e caracterizar os padrões de sono de adolescentes, um grupo de pesquisadores em psicologia da Universidade da Califórnia (EUA) realizou um estudo em uma amostra representativa de adolescentes americanos compreendendo um período de 8 anos. Um quarto dos adolescentes avaliados iam para a cama após as 23:30 hs no período escolar, dormindo menos que as 9 horas por noite preconizadas para se ter um bom descanso nesta faixa etária. Este grupo que dormia menos apresentou menor performance escolar e maiores dificuldades emocionais.
Um dos problemas é que a adolescência é um período de transição hormonal e, por isso, o indivíduo tem mais dificuldade de conciliar o sono mais cedo à noite (sem contar as distrações eletrônico-sociais). O adolescente não pode prolongar o sono pela manhã, tendo que acordar cedo devido às obrigações escolares, agravado pelas dificuldades de mobilidade urbana, que muitas vezes antecipam este horário de acordar. O resultado é um menor tempo de sono, em geral de pior qualidade devido às excitações pré-adormecer (luzes, sons, diálogos virtuais).
Biologicamente a adolescência é uma etapa de desenvolvimento de algumas regiões do cérebro associadas com funções executivas (como a habilidade de organizar o seu tempo e de prever consequências de seus atos), funções de controle emocional e funções de avaliação de comportamentos de risco e recompensa. Problemas de sono afetam essas funções.
O estudo, apesar de não provar uma relação de causa/efeito, serve como um importante indício que justifica uma abordagem preventiva.
Os especialistas em sono sugerem intervenções comportamentais simples, no intuito de reduzir os estímulos sensoriais e a fim de permitir um sono precoce. Jantar mais cedo, ir mais cedo para a cama, apagar as luzes, desligar os equipamentos... enfim, desconectar.
Mas lembre-se, todos na casa devem fazer isso.
Fonte
- Journal of Adolescent Health - hhttp://dx.doi.org/10.1016/j.jadohealth.2013.09.004

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Atividade física na velhice: nunca é tarde para começar

São bem conhecidos os benefícios da atividade física regular sobre a saúde e o bem-estar das pessoas no processo de envelhecimento, o que é chamado de envelhecimento saudável. No entanto, estes efeitos benéficos do exercício foram constatados em velhos que já se exercitavam desde a meia idade e pouco se sabia sobre o impacto da atividade física sobre a saúde de pessoas que iniciam a atividade física na velhice. Um novo estudo, recentemente publicado na revista científica British Journal of Sports Medicine, preenche esta lacuna.
A pesquisa analisou informações sobre a atividade física de 3454 homens e mulheres que estavam saudáveis no início do estudo em 2002/2003. A idade média dos participantes era em torno de 64 anos. O grupo foi acompanhado e avaliado em relação à atividade física e saúde por um período de oito anos. A atividade física foi categorizada em três grupos: inativos (sem atividade em pelo menos uma vez por semana); moderados (atividade moderada em pelo menos uma vez por semana) e vigorosos (atividade vigorosa ao menos uma vez por semana). As modificações de atividade física no decorrer do estudo foram enquadradas em quatro categorias: sempre inativo (desde o início do estudo); tornou-se inativo (era ativo no início e deixou de ser durante o estudo); tornou-se ativo (era inativo no início e tornou-se ativo durante o estudo); sempre ativo (iniciou ativo e continuou ativo durante o estudo). Envelhecimento saudável foi considerado aquele que não apresentou nenhuma doença crônica, depressão ou declínio acentuado da cognição ou condição física.
A análise dos resultados apontou dois aspectos conclusivos. O primeiro revela que os participantes ativos no início do estudo e que continuaram ativos tiveram probabilidade sete vezes maior de ter uma velhice saudável, comparados com os inativos. Apesar de esperado, chama atenção a magnitude do benefício produzido. O segundo aspecto, e talvez o mais interessante, é o de que, aqueles indivíduos que eram inativos no início do estudo, mas que durante o estudo tornaram-se ativos, também tiveram maior probabilidade (de três vezes) de um envelhecimento saudável.
Com os rápidos avanços na expectativa média de vida torna-se urgente a adoção de estratégias públicas e privadas de prevenção dos impactos negativos do envelhecimento. Os resultados deste trabalho indicam que medidas simples como o incentivo a programas de atividade física na meia idade e na velhice podem ser decisivos para o desenvolvimento de um envelhecimento de sucesso.
Se você estiver pelos 50 anos e não for ativo, é hora de começar, e se você já é dos 60, 70 ou mesmo dos 80 e é sedentário, não desanime, ainda é tempo!
Porém lembre, sempre que iniciar um programa de atividade física procure um médico para avaliação da sua saúde.
Fonte
- British Journal of Sports Medicine - 2013;0:1–6. doi:10.1136/bjsports-2013-092993

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Exercício físico combate a perda de libido provocada pelos antidepressivos em mulheres

Os antidepressivos compõem a principal forma de tratamento da depressão nos dias atuais. Dos efeitos colaterais produzidos pelos antidepressivos, um dos mais frequentes, principalmente em mulheres, é a alteração da função sexual. Estudos apontam que a maioria das mulheres (96%) que tomam antidepressivos relatam algum tipo de disfunção sexual. Além de reduzir a qualidade de vida, este efeito colateral diminui muito a aderência ao tratamento.
O exercício físico é um fator bem estabelecido na promoção da saúde e bem estar geral. Especificamente, o exercício melhora a função sexual em mulheres deprimidas que não tomam medicação. Em mulheres saudáveis, o exercício físico moderado antes de um estímulo sexual aumenta a resposta excitatória a este estímulo.
Baseado neste conjunto de observações foi realizada uma pesquisa para testar se o exercício físico poderia melhorar a função sexual em mulheres que tomam antidepressivos e sofrem os efeitos adversos desta medicação. O estudo avaliou 52 mulheres que tomavam antidepressivos e que apresentavam algum tipo de efeito colateral sobre a função sexual. As mulheres foram acompanhadas por nove semanas e instruídas a ter atividade sexual regular que consistia em atividade sexual com parceiro ou masturbação três vezes por semana. Após as primeiras três semanas as mulheres foram divididas em dois grupos, as mulheres de ambos os grupos continuavam a atividade sexual regular por mais três semanas, adicionando dois padrões de exercício. Um dos grupos realizava exercícios físicos em momentos distantes da atividade sexual, o outro grupo realizava os exercícios imediatamente após a atividade sexual. Após três semanas os grupos foram invertidos, e acompanhados por mais três semanas, fechando as nove semanas totais.
A análise dos resultados feita pelos pesquisadores demonstrou que as duas rotinas de exercícios (distante ou próximo da atividade sexual) mostrou um aumento no orgasmo em todas as mulheres. Além disso, o exercício imediatamente antes da atividade sexual produziu um grande aumento na libido e uma melhora na função sexual como um todo.
A conclusão do estudo é de que uma atividade sexual regular, associada a um programa de exercícios, pode ser uma ferramenta importante para a redução dos efeitos colaterais dos antidepressivos sobre a função sexual em mulheres.
Fonte
- Depression and Anxiety 00:1–8, 2013 - DOI 10.1002/da.22208

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Nova abordagem terapêutica cria esperanças para o tratamento da doença de Alzheimer

A doença de Alzheimer é um tipo de demência que causa perda de memória, dificuldades de encadear os pensamentos e alterações comportamentais, sendo uma das maiores causas de declínio cognitivo em todo o mundo. Até agora nenhuma terapia ou medicamento tem se demonstrado efetivos no tratamento da doença como um todo, ou de alguns de seus aspectos, como o da perda da memória e diminuição da cognição.
Entretanto, pesquisadores da Universidade da Califórnia lançam agora uma perspectiva que pode dar uma esperança para mudar este quadro desalentador.
Resultados de um estudo piloto realizado em humanos foram publicados online no dia 27 de setembro na revista científica Aging. O estudo contou com a participação de 10 pacientes que apresentavam perda de memória associada com doença de Alzheimer ou a déficit cognitivo leve ou moderado. Os pacientes foram submetidos a uma abordagem terapêutica que não incluía medicamentos ou cirurgia. Cada paciente seguiu um programa de estilo de vida personalizado, porém, com vários elementos compartilhados. Entre eles, exercício físico regular, alto consumo de frutas e vegetais, eliminação de carboidratos simples da dieta, consumo de peixes (evitando os produzidos em criadouros), regramento do horário de refeições permitindo períodos de jejum entre elas, estabelecimento de padrões de sono regulares, estratégias de redução de estresse como ioga e meditação. Além disso, os participantes receberam uma variedade de vitaminas e complementos.
Nove dos dez pacientes apresentaram uma melhora objetiva ou subjetiva da cognição a partir de 3 a 6 meses do programa. Seis dos pacientes que haviam parado de trabalhar devido ao problema de memória puderam voltar às suas atividades.
Deve-se salientar que, apesar de animadores, estes são resultados de um pequeno estudo piloto e que estudos clínicos extensos são necessários para comprovar estas boas expectativas.
Há esperança que no futuro esta abordagem - que procura restabelecer um equilíbrio fisiológico do organismo - possa servir de um importante auxiliar das terapêuticas farmacológicas, que até agora, sozinhas, demonstraram-se ineficientes no tratamento da doença de Alzheimer.
Fonte
-AGING, September 2014, Vol. 6 No.9

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Uso excessivo de equipamentos de mídia está associado à alterações da estrutura cerebral

Nos últimos anos o desenvolvimento tecnológico tem nos oferecido um sem número de equipamentos eletrônicos que nos mantem cada vez mais conectados. Sao os computadores com a internet mais veloz, telefones celulares cada vez mais sofisticados, TVs enormes e com padroes de imagens irresistíveis, tablets em que você pode degustar um livro ou ler seu jornal predileto num click.
Boa parte desta parafernália é de grande auxílio, seja no trabalho, no lazer ou no estabelecimento de comunicações rápidas e relações sociais. No entanto, esta ultraconexão – que leva muitas pessoas a usarem vários equipamentos ao mesmo tempo e não conseguirem mais desgrudar deles, sob pena de sofrerem uma "síndrome de abstinência"– tem levantado alguns questionamentos por pesquisadores da área da saúde. Este comportamento de estar sempre conectado tem sido associado à consequências negativas tanto no aspecto psicossocial quanto no cognitivo e emocional.
No último dia 24 de setembro foi publicada na revista científica PLoS One, uma pesquisa que investigou uma possível associação entre padrões de uso de aparelhos de mídia e alterações estruturais em regiões cerebrais responsáveis pelo controle da cognição, memória e capacidade de planejamento e emoções. Os pesquisadores utilizaram um exame de imagem dinâmico chamado de Ressonância Magnética Funcional para examinar estruturas cerebrais de 75 pessoas com diferentes padrões de uso de equipamentos de mídia.
Os resultados revelaram que as pessoas que usam com mais frequencia múltiplos aparelhos de mídia, muitas vezes ao mesmo tempo, apresentam menor densidade na substância cinzenta em uma regiao do cérebro chamada de córtex cingulado anterior, quando comparados com pessoas que utilizam aparelhos ocasionalmente. Esta regiao é responsável pelos processos de controle do comportamento, cognição e emoções e é consistentemente associada com estados de depressão e bipolaridade.
O estudo não demonstra qual é o sentido da causalidade, ou seja, não prova se é o uso excessivo de equipamentos que leva a alterações estruturais desta região ou pessoas com estas alterações estruturais tendem a usar mais aparelhos de mídia. Apesar desta dúvida, estes resultados juntam-se a estudos prévios que mostram uma ligação do uso demasiado de equipamentos com ansiedade, depressão e desatenção.
Enquanto isto não é definitivamente esclarecido, seria prudente dar uma controlada no excesso de conexões.
O cérebro agradece!
Fonte
-PLoS ONE 9(9): e106698. September 2014 | Volume 9 | Issue 9 doi:10.1371/journal.pone.0106698

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Se você quer comer menos, não tenha pressa, coma devagar e veja com quem está comendo.

Dois novos trabalhos científicos revelam aspectos interessantes do ato de comer que podem ajudar quem deseja fazer controle de peso. Ambos os trabalhos foram publicados entre o final do mês passado e o início deste novo ano na revista Journal of the Academy of Nutrition and Dietetics.
O primeiro trabalho elabora uma revisão da literatura analisando 15 estudos que avaliam o comportamento alimentar. As evidências são consistentes com a idéia que o comportamento alimentar pode ser transmitido socialmente. A informação indicando que outras pessoas estão escolhendo alimentos de alta energia ou baixa energia aumenta a probabilidade da pessoa fazer uma escolha qualitativa similar. O mesmo se repete com a quantidade de comida. Pessoas que são informadas ou veem outros comer mais, têm maior probabilidade de comer mais também. Os pesquisadores concluem com isso que as escolhas alimentares estão associadas a uma identificação social.
O segundo trabalho avaliou o comportamento alimentar no que diz respeito à velocidade com que a pessoa ingere a comida. Foram avaliadas pessoas de peso normal e pessoas obesas ou com sobrepeso (a pessoa com sobrepeso é aquela que tem o índice de massa corporal de 25 a 30 e a pessoa obesa tem o índice de 30 a 35). Os participantes faziam uma refeição em condições tranquilas e relaxadas, sem preocupações com o tempo. Numa segunda experiência a refeição era feita numa situação de restrição de tempo em que o ambiente transmitia uma sensação de pressa.
Os dois grupos de pessoas consumiram menos na situação de refeição sem pressa, quando comparado com a refeição rápida. Entretanto, só nos grupos de peso normal a ingestão energética foi estatisticamente menor na refeição lenta. Pessoas de peso normal significativamente reduzem a ingestão calórica quando comem mais devagar. Ambos os grupos referiram menos fome passada uma hora da refeição lenta, comparada com a refeição rápida. E os de peso normal relatam uma maior sensação de saciedade com a refeição lenta. Esses dados comprovam que o tempo de refeição, principalmente para as pessoas de peso normal, tem grande impacto sobre o controle de peso.
O conjunto de resultados destes dois trabalhos pode servir como subsídios para a aplicação de estratégias de controle de peso. Tanto o tempo de refeição (a comida rápida do dia-a-dia agitado contra o sentar na mesa da refeição sem pressa), como a influência das pessoas com quem compartilhamos o momento da refeição são elementos que podem ser condicionados no sentido de realizarmos refeições mais saudáveis.
Fonte
  • - Journal of the Academy of Nutrition and Dietetics doi: 10.1016/j.jand.2013.11.002
  • - Journal of the Academy of Nutrition and Dietetics doi: 10.1016/j.jand.2013.11.009

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Cafeína melhora a memória

Milhões de pessoas no mundo inteiro ingerem, diariamente, cafeína que é um componente de diversas bebidas como café, chá, refrigerantes, energéticos, e também de alguns medicamentos e alimentos. Efeitos benéficos deste composto já vêm sendo descritos na literatura médica, principalmente na melhora da atenção, alerta e no aumento da capacidade cognitiva. Por outro lado, potenciais danos à saúde causados pelo uso indiscriminado de grandes quantidades também têm sido demonstrados.
Agora, uma pesquisa, recentemente publicada na revista Nature Neuroscience, traz uma boa novidade sobre a cafeína. O estudo revelou que a ingestão da substância melhora a memória de longa duração (aquela que é guardada por períodos longos e é mais permanente, ao contrário da memória de curta duração e da memória de trabalho, que são estocadas por períodos muito curtos).
Os pesquisadores conseguiram dissociar o efeito positivo da cafeína diretamente sobre a memória, de outros efeitos da cafeína que poderiam, indiretamente, melhorar o desempenho do participante num teste de memória, como o aumento da atenção, vigilância e cognição. Isso foi feito empregando-se um tipo de experimento chamado de administração pós-estudo, em que a droga é administrada após o sujeito ter estudado o material que teria que recordar.
O estudo incluiu mais de 100 participantes, que visualizavam centenas de imagens comuns em um computador. Cinco minutos após, eles ingeriram diferentes doses de cafeína em tabletes. Os participantes retornavam 24 horas depois, e viam mais imagens de objetos. Eles deviam responder se as imagens eram as mesmas, se eram novas, ou semelhantes, às do dia anterior. As pessoas que ingeriram a dose de 200 miligramas de cafeína tiveram melhor desempenho do que aquelas que ingeriram placebo, ou 100 miligramas de cafeína. Doses mais altas que 200 miligramas não tiveram maior efeito.
Mas, quanto é 200 miligramas (mg) de cafeína nos cafés e chás do nosso dia-a-dia? Esta é uma pergunta difícil de responder, pois há uma gama enorme de padrões de industrialização e preparo das bebidas. Um espresso (do italiano: retirado sob pressão) tem de 40 a 75 mg de cafeína. Uma xícara de café passado (240 ml) tem de 95 a 200 mg. Uma xícara de chá preto tem de 14 a 60 mg e de chá verde de 24 a 40 mg de cafeína.
Desta maneira, podemos planejar nossos cafés e chás do dia pensando no que precisamos lembrar amanhã, salientando que a ingestão de cafeína até 6 horas antes de dormir pode prejudicar o sono, e o tiro pode sair pela culatra.
Vale lembrar que a Academia Americana de Pediatria recomenda que adolescentes não ingiram mais do que 100 mg de cafeína por dia, e que crianças não deveriam ingerir bebidas contendo cafeína.
Fonte
- Nature Neuroscience - online 12 January 2014; doi:10.1038/nn.3623